09/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Rede pública de saúde realiza implante coclear inédito no Amazonas

Publicado em 04 de março, 2023

Rede pública de saúde realiza implante coclear inédito no Amazonas

Procedimento foi realizado em um menino de 3 anos e 11 meses, que recebeu os implantes nos dois ouvidos. A duração da cirurgia foi de 4 horas.
Foto: Lucas Silva/Secom

O hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, localizado no bairro Colônia Terra Nova, zona Norte – unidade vinculada à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) – realizou, neste sábado, 43, o primeiro implante coclear no estado ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade é a primeira da rede pública a ser capacitada para a realização deste tipo de procedimento, que já existe na rede particular desde 2008, por cumprir as exigências da Saúde.

“Esse serviço é inédito na rede pública de saúde do Amazonas. A oferta de mais esse procedimento faz parte de uma série de investimentos que temos feito para aumentar a oferta de serviços a quem precisa. Quando nós assumimos o governo, em 2019, o Delphina tinha apenas 10 leitos de UTI e estava com apenas 30% da sua capacidade em funcionamento. Atualmente, o hospital conta com 383 leitos, sendo 180 de UTI, e com 100% da sua capacidade em operação”, disse o governador Wilson Lima.

O procedimento foi realizado pelos médicos otorrinolaringologistas com especialização em implantes, Luiz Avelino Jr. e Arthur Castilho e foi considerado um sucesso. O paciente é um menino de 3 anos e 11 meses, que recebeu os implantes nos dois ouvidos. A duração da cirurgia foi de 4 horas.

“A cirurgia foi ótima e deu tudo certo. Daqui a alguns dias a gente remove as suturas e em 30 dias faremos a ativação dos implantes e ele vai começar a escutar. A partir desse momento, ele começa a terapia também com fonoaudiólogos para que possa ter um aproveitamento e melhora da linguagem”, comentou o médico Arthur Castilho.

A mãe da criança, Roberta de Oliveira, acompanhou o procedimento do filho do início ao fim. “Meu sonho mesmo é escutar ele me chamar de mãe. Sempre sonhei com isso. Eu já não acreditava, porque antes não tinha recursos para isso, e hoje tem. Espero que outras pessoas possam também ter essa oportunidade”, disse Roberta.

Os implantes cocleares são indicados para pessoas com perda auditiva neurossensorial de severa a profunda. A prioridade para a realização de um implante coclear é para pacientes que nascem com perda total de audição, e que tenham até quatro anos de idade para que seja aproveitada a janela de aquisição de linguagem oral que é desenvolvida neste período da vida.

“Imagine a importância do governo do Estado investir para realizar, pela primeira vez na história, essa cirurgia, aqui na rede estadual pelo SUS. É um grande avanço. Um momento histórico para a saúde do Amazonas”, disse o secretário de Saúde, Anoar Samad.

Procedimento cirúrgico

A cirurgia consiste em uma incisão atrás da orelha para acessar a cóclea, porção da orelha interna responsável pela audição, com uma pequena abertura é implantado um feixe de eletrodos junto ao nervo auditivo e fixado um receptor (antena) no crânio do paciente. Como a cóclea não varia de tamanho ao longo da vida, não será preciso trocar a unidade interna, com isso o procedimento é realizado uma única vez, sem a necessidade de ser refeito ao longo da vida.

O paciente recebe alta médica no mesmo dia e precisa retornar para retirada dos pontos e avaliação clínica após sete dias. No primeiro mês o paciente será acompanhado de maneira mais próxima para garantir que a recuperação e cicatrização tenha sucesso.

A cirurgia é considerada de alta complexidade por necessitar de uma rede de diagnósticos e um hospital capacitado com equipamentos especializados na área, e uma equipe grande de acompanhamento para que o paciente receba apoio para o resto da vida, seja para manutenção do aparelho ou para ajustes de reabilitação auditiva e oral.

Adultos

Nos casos de pacientes com idade adulta, que perderam a audição gradativamente e que já utilizam o método comum, com uso do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI), não há uma idade limite para a recomendação do procedimento, desde que sejam avaliados e se encaixem nos padrões previamente analisados por médicos especialistas, e seja identificado que o aparelho tradicional não oferece mais ganho de audição para a pessoa que a utiliza.

 

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