11/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Aumento da insegurança alimentar influencia queda da vacinação em crianças, alerta pesquisadora

Publicado em 01 de março, 2023

Aumento da insegurança alimentar influencia queda da vacinação em crianças, alerta pesquisadora

“A insegurança alimentar é um dos fatores atrelados à queda nos índices de vacinação das crianças. Tornou-se, claro, mais urgente para a família saber o que vai comer, então a vacinação virou uma preocupação secundária”. A conclusão é da pesquisadora e coordenadora do Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância/Fiocruz), Patricia Boccolini.

A constatação de Patricia vai ao encontro de dados revelados pelo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19. De acordo com o levantamento, no Brasil, nos últimos anos, 14 milhões de pessoas passaram a integrar a parcela da população que não tem o que comer.

Ainda segundo o documento, entre os domicílios onde a pandemia levou à perda de empregos ou aumento da dívida, quase 20% enfrentaram grave insegurança alimentar. Os resultados da pesquisa são um alerta para a sociedade brasileira e seus líderes sobre a necessidade urgente de ações e políticas públicas.

Para a pesquisadora da Fiocruz, uma das políticas públicas para resgatar as altas coberturas vacinais é educar sobre o tema nas escolas. “A escola precisa ser um lugar de educação e saúde para crianças e adolescentes, mas também precisa ser um polo de vacinação, o que pode ser muito mais prático para a família que pode ter de levar a criança para um posto longe da sua residência”, diz.

A ação citada por Patricia está prevista na quinta etapa do Movimento Nacional pela Vacinação, quando haverá chamamento para atualização de caderneta de vacinação com os imunizantes de todo o calendário nacional, com ações nas escolas do País.

Patricia ainda chama a atenção para a falsa percepção de que algumas doenças imunopreveníveis simplesmente nunca mais poderão ressurgir. “A gente precisa conscientizar as famílias que o vírus da poliomielite, por exemplo, ainda é endêmico em alguns lugares do mundo e hoje em dia as pessoas viajam e transitam. Então, existe sim a possibilidade real de algum infectado chegar no Brasil e aqui encontrar as coberturas vacinais baixíssimas, reintroduzindo o vírus”, explica.

A pesquisadora acrescenta que o Brasil tem que voltar a priorizar a atenção básica, com o fortalecimento das Equipes de Saúde da Família. “Nos últimos anos foi trilhado o caminho inverso, com enfraquecimento, redução de financiamento e desmobilização de equipes. O agente comunitário nunca teve tanta importância. Precisamos mais do que nunca deles para aumentar a cobertura vacinal dos municípios”, afirma.

Movimento

Frente ao cenário de risco de reintrodução de doenças no Brasil, o Ministério da Saúde lançou, nesta segunda-feira (27), juntamente com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o Movimento Nacional pela Vacinação.

Com a mensagem “Vacina é vida. Vacina é para todos”, a mobilização inclui vacinação contra a Covid-19 e outros imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação em várias etapas. Essa ação é uma das prioridades do governo federal para reconstrução do Sistema Único de Saúde (SUS), da confiança nas vacinas e da cultura de vacinação do país.

Extinto em 2019, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) foi retomado no primeiro dia da gestão do presidente Lula. Nesta terça-feira (28), ele assinou decretos que dispõem sobre a competência e funcionamento do conselho, deu posse aos integrantes e assinou um outro decreto para reinstituir a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional, a Caisan.

Órgão de assessoramento imediato à Presidência da República, o Consea é um importante espaço institucional para a participação e o controle social na formulação, no monitoramento e na avaliação de políticas públicas de segurança alimentar e nutricional. Um terço dos representantes são governamentais e dois terços, da sociedade civil organizada.

A volta do Brasil ao Mapa da Fome foi uma das mais drásticas consequências do desmonte de políticas públicas promovido nos últimos quatro anos. Pesquisa realizada em 2021-2022 pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN) demonstrou uma grave escalada da fome no Brasil no período. Em 2022, 33,1 milhões de brasileiros não tinham suas necessidades alimentares básicas atendidas, ou seja, passavam fome, e seis em cada dez brasileiros (58,7% da população) convivia com algum grau de insegurança alimentar.

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