
Foto: Divulgação
Desde 15 de junho de 2021, a empresa Criadouro de Bicudos Flautas do Brasil Ltda. está registrada no endereço da residência do ex-ministro Anderson Torres, em Brasília. Nesta mesma data, a atividade da empresa passou de “criação de pássaro” para “comércio varejista de animais vivos e artigos e alimentos para animais de estimação”. As informações estão em documentos obtidos pela Agência Pública na Junta Comercial do Distrito Federal.
A empresa tem no papel como única sócia a mãe do ex-ministro, Amélia Gomes da Silva Torres. No entanto, conforme os documentos, na prática, o negócio pertence a Torres.
Anderson Torres é alvo de uma ação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por suspeita de comércio ilegal de animais silvestres.
No último dia 24, agentes do Ibama foram até a casa do ex-ministro e encontraram gaiolas com cerca de 60 pássaros silvestres criados irregularmente. Uma das aves estava com a pata mutilada. O órgão aplicou uma multa de R$ 34 mil.
O Ibama disse ter encontrado informações inconsistentes no Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de Criação Amadora de Pássaros (Sispass).
Por meio do sistema, Anderson Torres afirmou que havia transferido todo o grupo de animais para sua mãe, mas ambos informavam o mesmo endereço no registro de criação.
Ainda de acordo com o Ibama, Torres e sua mãe teriam ultrapassado o limite de transferência de animais estabelecido pelos criadores amadores.
A empresa “Criadouro de Bicudos Flautas do Brasil” foi fundada em agosto de 2006, pelo servidor público José Luiz de Amorim Carrão. Ele criava as aves em sua casa, no Guará, Distrito Federal.
A mãe de Anderson Torres teria entrado na sociedade em 15 de janeiro de 2021, quando passou a ser administradora. Cinco meses depois, Carrão deixou os negócios, mesma época em que a empresa mudou para o atual endereço, no condomínio Ville Montagne, no Jardim Botânico, residência de Anderson Torres.
O ex-ministro está preso desde 14 de janeiro. Ele é investigado por suspeita de omissão durante os atos golpistas cometidos por bolsonaristas radicais em Brasília, no dia 8 de janeiro. Ele foi ministro no governo Jair Bolsonaro e era secretário de Segurança do Distrito Federal no início do ano. Torres nega as acusações.
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