11/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Morre o artesão Adenilson Ribeiro, o ‘Rei do Macramê’

Publicado em 05 de fevereiro, 2023

Morre o artesão Adenilson Ribeiro, o 'Rei do Macramê'

Adenilson dedicou a vida ao Garantido, transformando em arte os trajes dos itens do boi, por meio do macramê.
Foto: Divulgação

Conhecido como o “Rei do Macramê”, no Festival Folclórico de Parintins, o artesão Adenilson Ribeiro, 56 anos, o “Negão”, morreu neste sábado, 4/2, em decorrência de complicações renais, em um hospital de Manaus. Artesão do Garantido, o artista parintinense marcou o festival pelo trabalho com o macramê, ao transformar elementos simples como sementes, folhas, fios, palhas, entre outros em fantasias exóticas, verdadeiras obras de arte.

A morte de Adenilson repercutiu entre a nação vermelho e branca, nas redes sociais, com declarações de agradecimento pelo trabalho desenvolvido no boi da Baixa de São José.

A Associação Folclórica Boi-Bumbá Garantido emitiu uma Nota de Pesar, em seu perfil do Instagram, assim como o Movimento Amigos do Garantido (MAG) também publicou uma homenagem ao Rei do Macramê, assinada pelo compositor e jornalista, Mencius Melo.

Confira a nota da Associação Folclórica Boi-Bumbá Garantido na íntegra:

Com grande tristeza recebemos a notícia do falecimento do artista vermelho e branco Adenilson Ribeiro.

Dono de uma arte esmerada, detalhista e perfeccionista, Adenilson se destacava pela entrega e dedicação em todos os seus trabalhos. Sentiremos saudades do artesão competente e amoroso.

Estamos enlutados com a partida. Descanse em paz! Que Nossa Senhora do Carmo o ilumine em sua passagem.

Confira a homenagem do MAG na íntegra:

Partiu o “mau humor” divertido de um talento Garantido

Partiu o “reclamão” criativo, o anarquista incontido, o apaixonado efusivo, que nunca aceitou “ser menos que Garantido”, seu amor de coração. Do “reclamê ao macramê”, Adenilson Ribeiro foi “coisa nossa” por décadas. Era na verdade, memória viva de “tempos que ficaram pra trás…”.

De toadas antigas a causos do festival, parecia que Adenilson era um ser ancestral. Lembrava de coisas centenárias como se todas tivesse vivido. Só sabe quem tem história. Só sabe quem é Garantido…

Padeceu na miséria moral que muitas vezes domina o festival. “Nunca mudou de fazenda, nem de dono ou de curral”. Por isso Adenilson Ribeiro é memória especial. Brilhou no palco do Boi de Parintins, que segundo um amigo meu contrário é: “Socialmente ingrato. Historicamente injusto. Economicamente trágico”. Mesmo assim brilhou! E brilhou muito!

Agora no céu deve estar reclamando: “O que vão fazer com o meu material? O que vão fazer com as minhas penas? Pena foi ter perdido você na materialidade da existência, mas, vou me comprometer: De nunca esquecer de você. Da risada debochada a criticar. Da timidez contida para não aparecer. Do coração escondido, cheio de bem querer. Assim era você.

Vá na luz Adenilson Ribeiro do Garantido. Memória e história de um tempo vivido…Lembrança eterna de um amor de amigo.

(Mencius Melo – jornalista e compositor do Garantido da Baixa do São José. Que tinha que aguentar o Adenilson reclamando de tudo e de todos por horas… Mas que era divertido, era….)

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