18/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Fiocruz registra 1º caso de meningoencefalite por fungo raro no Brasil

Publicado em 30 de dezembro, 2022

Fiocruz registra 1º caso de meningoencefalite por fungo raro no Brasil

Cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) registraram o primeiro caso de meningoencefalite causada pelo fungo Penicillium chrysogenum no Brasil. Uma adolescente de 14 anos, do Rio de Janeiro, foi diagnosticada com infecção grave no cérebro e meninges, causada pelo fungo, e não resistiu. O caso ocorreu em setembro de 2021, mas foi divulgado apenas na quarta-feira (28/12).

De acordo com o relato publicado na revista científica International Journal of Infectious Diseases, a jovem tinha histórico saudável, sem comorbidades. Ela deu entrada no Hospital Naval Marcílio Dias, na Zona Norte do Rio, em setembro de 2021, com dores de cabeça, fotofobia e vômito.

O fungo Penicillium chrysogenum foi encontrado na análise do líquido cefalorraquidiano, uma substância que envolve o cérebro e a medula espinhal. As amostras foram enviadas para o Laboratório de Taxonomia, Bioquímica e Bioprospecção de Fungos da Fiocruz, onde o diagnóstico foi confirmado. Não há informações conclusivas sobre como ela foi infectada.

Em um comunicado, o pesquisador Manoel Marques Evangelista de Oliveira, principal autor do artigo, explica que os quadros de meningoencefalite são normalmente associados a infecções provocadas por bactérias ou por fungos do gênero Cryptococcus.

“Foi um espanto identificar que este caso estava relacionado ao Penicillium, e de uma espécie que ainda não tinha sido descrita no país como causadora dessa doença”, afirma Oliveira.

Tratamento

A adolescente foi tratada com medicamentos antifúngicos, mas não resistiu. Ela faleceu em decorrência de choque séptico e neurogênico. O pesquisador chama atenção para a gravidade, uma vez que a paciente era saudável até a infecção pelo fungo.

“A gravidade desse caso nos preocupa por ter ocorrido principalmente em uma paciente imunocompetente, pois pode significar que o P. chrysogenum tem um perfil de escape da resposta imunológica. O caso poderia ter tido uma evolução ainda mais rápida e complicada em pacientes com a imunidade comprometida, como pessoas com HIV/Aids ou em tratamento da Covid-19”, conta Manoel.

Casos

O texto também destaca um aumento recente na incidência de infecções fúngicas no sistema nervoso central humano. Entre as principais síndromes desencadeadas pelo contágio estão meningite, encefalite e elevação da pressão intracraniana.

Segundo Oliveira, o aumento está relacionado ao crescimento do número de pessoas imunossuprimidas nas últimas duas décadas. “Os motivos são diversos: pessoas que vivem com HIV/Aids, uso indiscriminado de medicamentos, casos de depressão e, mais recentemente, a Covid-19. Esses indivíduos estão propícios a contraírem infecções por fungos”, explica.

A maioria das ocorrências está relacionada a espécies do gênero Cryptococcus, que provocam meningite. A infecção geralmente ocorre pela inalação de esporos em poeiras de solos contaminados com excrementos de pombos.

Outro fator de risco é a mudança de comportamento dos fungos devido às alterações climáticas. Eles podem estar se adaptando às novas condições do ambiente, suportando temperaturas próximas às do corpo humano.

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