27/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

China pode ter quase um milhão de mortes ao sair da ‘Covid zero’, aponta estudo

Publicado em 20 de dezembro, 2022

China pode ter quase um milhão de mortes ao sair da ‘Covid zero’, aponta estudo

A saída abrupta e mal preparada da China da política de “Covid zero” pode levar a quase um milhão de mortes, de acordo com um novo estudo, enquanto o país se prepara para uma onda sem precedentes de infecções que se espalha de suas maiores cidades para suas vastas áreas rurais.

Por quase três anos, o governo chinês usou bloqueios rígidos, quarentenas centralizadas, testes em massa e rastreamento rigoroso de contatos para conter a propagação do vírus.

Essa estratégia cara foi abandonada no início deste mês, após uma explosão de protestos em todo o país contra restrições estritas que prejudicaram os negócios e a vida cotidiana.

Mas especialistas alertaram que o país está mal preparado para uma saída tão drástica, não tendo conseguido aumentar a taxa de vacinação de idosos, a capacidade de terapia intensiva em hospitais e estocar medicamentos antivirais.

Nas condições atuais, uma reabertura em todo o país pode resultar em até 684 mortes por milhão de pessoas, segundo projeções de três professores da Universidade de Hong Kong.

Dada a população da China de 1,4 bilhão de pessoas, isso representaria 964.400 mortes.

O surto de infecções “provavelmente sobrecarregaria muitos sistemas de saúde locais em todo o país”, disse o estudo, divulgado na semana passada no servidor de pré-impressão do Medrxiv e que ainda não foi submetido à revisão por pares.

O levantamento simultâneo das restrições em todas as províncias levaria a demandas de hospitalização de 1,5 a 2,5 vezes mais da capacidade hospitalar, de acordo com o estudo.

Mas esse pior cenário pode ser evitado se a China lançar rapidamente doses de reforço e medicamentos antivirais.

Com cobertura vacinal de quarta dose de 85% e cobertura antiviral de 60%, o número de mortes pode ser reduzido de 26% a 35%, de acordo com o estudo, financiado em parte pelo Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e pelo governo de Hong Kong.

Na segunda-feira (19), as autoridades de saúde chinesas anunciaram duas mortes por Covid, ambas na capital Pequim, que enfrenta seu pior surto desde o início da pandemia.

Essas foram as primeiras mortes oficialmente relatadas desde o dramático alívio das restrições em 7 de dezembro, embora postagens nas redes sociais chinesas tenham apontado para um aumento na demanda nas funerárias e crematórios de Pequim nas últimas semanas.

Um funcionário de uma funerária nos arredores de Pequim disse que eles foram inundados pelas longas filas para a cremação, e os clientes precisariam esperar pelo menos até o dia seguinte para cremar seus entes queridos.

No Baidu, principal mecanismo de busca online da China, as buscas por “casas funerárias” por residentes de Pequim atingiram um recorde desde o início da pandemia.

Tags:

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.