05/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Partido Comunista Chinês abre congresso que deve garantir terceiro mandato de Xi Jinping

Publicado em 15 de outubro, 2022

Partido Comunista Chinês abre congresso que deve garantir terceiro mandato de Xi Jinping

Neste domingo (16), no horário de Pequim, começa o congresso do partido comunista chinês. A reunião de dois mil representantes do povo é uma das maiores assembleias políticas do mundo. O evento acontece a cada cinco anos, e dita os rumos do país que pretende ultrapassar os Estados Unidos na corrida pela hegemonia econômica do planeta.

O principal anúncio deve acontecer mais perto do encerramento do encontro, no próximo fim de semana: a reeleição do atual presidente Xi Jinping. Não se trata de nenhuma surpresa.

Na assembleia de 2018, os congressistas aprovaram uma mudança na constituição de derrubou o limite de dois mandatos para o chefe de Estado. Mais tempo no poder permite que Xi avance com seu projeto mais ambicioso: a “Nova Rota da Seda”.

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Formalmente apresentado em 2013 como “One Belt One Road” – algo como “Um Cinturão e uma Estrada”, em tradução livre – o programa integra 145 países em todos os cinco continentes. O plano remonta à antiga “Rota da Seda”, que não apenas conectou civilizações por meio de rotas comerciais entre a China e a Itália, como ajudou no florescimento de grandes cidades, tanto no Oriente quanto no Ocidente, por causa do fluxo de mercadorias.

“Trata-se do mais ambicioso projeto de política externa do século XXI. Por trás disso há um projeto comercial, mas também há uma ideia de intercâmbio cultural. Claramente isso tem a ver a disputa hegemônica entre China e Estados Unidos, nas próximas décadas”. A explicação é do professor em Relações Internacionais da FACAMP e pesquisador da USP Pedro Donizete da Costa Júnior.

Capital

Marcos Caramuru, que foi cônsul-geral do Brasil em Xangai, a capital financeira da China, corrobora as afirmações e explica que a economia é o que vai garantir o poder e a presença de Pequim no mundo. O diplomata destaca três aspectos importantes na chamada “Iniciativa Um Cinturão e uma Estrada”: os recursos financeiros, a capacidade das empresas chinesas em realizar investimentos estrangeiros e o desenvolvimento tecnológico.

Caramuru lembra, ainda, que na gestão de Xi Jinping foi criado o Banco Asiático de Infraestrutura para – justamente – garantir financiamento aos países emergentes que precisam ampliar os recursos de transporte a fim de integrar a tal “Nova Rota da Seda”.

O efeito secundário desta parceria proposta pela China é o endividamento que recairá aos governos mais pobre na África e no Sudeste Asiático. “Acho que esse processo passará por várias revisões ao longo do tempo. Mas ele (o projeto) é o grande indutor da integração chinesa com os vizinhos, sobretudo àqueles menos desenvolvidos”, conclui Caramuru.

Terceiro mandato

O que também vai pautar o terceiro mandato consecutivo de Xi Jinping são as relações com Hong Kong e Taiwan. Uma parte expressiva dos moradores dos dois territórios – especialmente os de Taiwan – exigem mais autonomia e menos interferência do partido comunista, em Pequim.

Por outro lado, o presidente Xi disse repetidas vezes que vai respeitar o princípio de um país e dois sistemas, em referência ao fato de que ambos os territórios têm seus respectivos parlamentos e códigos próprios de leis. A frase do líder é uma declaração indireta à ideia de manter todas as províncias unidas sob o mesmo governo.

O domínio sobre Hong Kong e Taiwan está diretamente ligado ao projeto de expansão econômica da China. Hong Kong, por exemplo, se tornou em uma importante praça bancária, sem falar na posição litorânea estratégica para a exportação e importação.

Não à toa, é ali que fica um dos portos mais movimentados do mundo. Por sua vez, Taiwan – que tem aspirações de independência ainda mais fortes – hoje é o principal fornecedor mundial de supercondutores. Os componentes são essenciais para a indústria, principalmente a de tecnologia.

“A China diz que a forma mais razoável para resolver a questão de Taiwan é uma decisão deliberada de Taiwan de incorporar a China. Eu não acredito que a China venha a fazer algo mais agressivo, neste momento, por duas razões: primeiro porque ela precisa passar ao mundo uma ideia de responsabilidade internacional. A China está tentando se promover como um líder internacional. E segundo, pela questão dos supercondutores, que a China tanto precisa”, resume o diplomata Marcos Caramuru, minimizando o risco de uma eventual invasão militar de Taiwan por parte dos chineses.

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