
Foto: Divulgação/Antônio Pereira/Semcom
Para fortalecer a base comunitária na produção de artesanatos e alavancar o empreendedorismo sustentável nas comunidades ribeirinhas da capital amazonense, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Trabalho, Empreendedorismo e Inovação (Semtepi), visitou na manhã desta terça-feira, 4/10, a comunidade Aldeia Kambeba Três Unidos, situada na altura da boca do rio Cuieiras, localizada à margem direita do rio Negro, região distante a 1 hora e 30 minutos de lancha da cidade de Manaus.
Na ocasião, o subsecretário municipal de Trabalho, Empreendedorismo e Inovação, Gustavo Igrejas, reuniu-se com lideranças comunitárias, artesãos e artesãs, para debater melhorias nas condições de trabalho dos profissionais da economia criativa.
“Essa comunidade é incrível. Aqui eles têm um artesanato muito bonito e muito bem feito. Aliás, o lugar aqui é muito agradável de se estar. Tem restaurante, pousada, passeios e trilhas, vale a pena mesmo conhecer. Como a Semtepi trabalha desenvolvendo e fortalecendo o empreendedorismo sustentável, proporcionando a qualificação dos profissionais, aqui é o local perfeito para investirmos nisso. A Prefeitura de Manaus está criando duas centrais de artesanato na cidade específicas para esse artesanato mais raiz, uma na Ponta Negra e outra no Centro da cidade”, frisou Igrejas.
Com forte vocação para o turismo sustentável, a comunidade dos Povos Indígenas Kambeba, originários das fronteiras do Brasil com os países andinos, existe há 30 anos, e possui 33 famílias, um total de 110 pessoas, entre crianças, jovens, adultos e idosos. A comunidade propõe uma imersão na cultura amazônica tanto para o turista nacional, quanto para o turista estrangeiro, bem como para a população amazonense que escolher experienciar a sua própria cultura local.
O subsecretário também destacou que a visita da Semtepi é o primeiro passo para qualificar a base comunitária na sua produção de artesanatos, valorizar a cultura do empreendedorismo sustentável na região e dimensionar o selo do povo Kambeba para o mundo.
“É muito importante a gente conhecer e pegar esse artesanato que eles vendem aqui para fins turísticos e levar para Manaus, colocar em E-commerce, vender para o Brasil, vender para o mundo, enfim, levar essa beleza que eles fazem aqui para o mundo inteiro”, acrescentou Igrejas.

Foto: Divulgação/Antônio Pereira/Semcom
A comunidade Três Unidos está dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista. De acordo com o tuxaua Kambeba, Waldemir da Silva, a comunidade é um paraíso natural e possui um restaurante com gastronomia amazônica chamado “Sumimi”, administrado por mulheres indígenas, um grupo de artesanato com especialidade no vestuário tradicional Kambeba, pintado manualmente com grafismos.
“A visita da Semtepi é muito importante para a nossa comunidade Três Unidos do Povo Kambeba. Cada vez mais a gente tem o fortalecimento da prefeitura que vem reforçar o suporte para a nossa comunidade indígena, assim trazendo oportunidades de qualificação e geração de renda para o nosso povo, sobretudo valorizando os artesanatos e produtos que cultivamos aqui”, destacou o tuxaua.
Ainda esta semana, acontecerá a inauguração oficial do Centro de Artesanato Kambeba – Asmik, na comunidade indígena Aldeia Três Unidos. O espaço vai contar com 20 lojas individuais para os artesãos exporem a marca dos produtos Kambebas, que vão desde acessórios como brincos, colares e pulseiras até objetos decorativos esculpidos em madeira no formato de botos, onças, preguiças e canoas, além de utensílios para a cozinha como colheres e tábuas.

Foto: Divulgação/Antônio Pereira/Semcom
As artesãs Kambebas Maria Lucia Braga, 40, e Tainara Costa, 18, relatam que os seus trabalhos com matéria-prima indígena vêm desde suas infâncias por tradição familiar. Elas contam sobre as atividades que desenvolvem na comunidade indígena Aldeia Três Unidos.
“É muito importante a circulação de turistas que vêm visitar a nossa terra. Eu trabalho com tecelagem, faço bastante peneira natural e também trabalho com tinta natural que faço para pintar a minha produção de artesanato. Cada vez mais chegam muitas visitas importantes para nossa comunidade. Ainda mais agora que nós temos a nossa feira de artesanatos. Todos nós trabalhamos com produção de artesanato e quando a nossa feira inaugurar vai ser maravilhoso. Vamos apresentar as nossas danças, as nossas bebidas, e as nossas comidas Kambebas para todos que vierem nos visitar”, disse Maria Lucia.
A comunidade dispõe de atrativos para imersão e aventura como canoagem, trilhas, prática do arco e flecha, praia, fogueira com narração de lendas e danças, além de hospedagem em pousada, restaurantes e muitos artesanatos indígenas, que ganham o coração dos turistas de passagem pela região.
“A gente valoriza muito as pessoas que vêm até aqui, explicamos direitinho qual é a madeira que temos, qual é a semente que usamos, como é produzido os nossos artesanatos, qual é a importância da madeira para a sustentabilidade. Enfim, tudo isso a gente explica para as pessoas compreenderem que elas não estão levando apenas o objeto, mas sim um artesanato de muito valor cultural”, concluiu Tainara Costa.
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