28/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Endividamento das famílias bate novo recorde, de acordo com Banco Central

Publicado em 29 de agosto, 2022

Endividamento das famílias bate novo recorde, de acordo com Banco Central

Após ficar estável entre março e abril, o endividamento das famílias em referência à renda bruta disponível aumentou de 52,7% para 52,8%, entre abril e maio, conforme dados divulgados nesta segunda-feira (29/8), pelo Banco Central, em nota mensal de estatísticas do mercado de crédito.

A taxa de endividamento das famílias em maio, de 52,8%, foi a maior da série histórica, iniciada em 2005, considerando a nova metodologia de cálculo do BC, que tem uma defasagem em relação ao mês da pesquisa. Na série anterior, que tem dados somente até agosto de 2021, a taxa recorde de endividamento das famílias tinha atingido 59,90% da renda bruta familiar naquele mês. Enquanto isso, pela metodologia atual, que passou a considerar os benefícios do governo como fonte de renda, como o auxílio emergencial, a taxa era de 49,33%.

Sem considerar o endividamento com as famílias com financiamento imobiliário, o percentual da renda familiar comprometida com dívidas passou de 33,4% para 33,5% entre maio e junho. O comprometimento total da renda das famílias brasileiras no trimestre encerrado em junho passou chegou a 27,6%, acima dos 27,4% de maio, mas abaixo dos 27,7% de março.

Juros nas alturas

Diante do aperto monetário do Banco Central, que vem elevando a taxa básica da economia (Selic), atualmente em 13,75% ao ano, no esforço de conter a inflação, sem muito sucesso – pois o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apesar da desaceleração recente, continua acima dos tetos das metas deste ano (5%) e do próximo (4,75%), o custo do crédito não para de crescer.

O Indicador de Custo do Crédito (ICC) do BC, que mede o custo médio de todo o crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN), subiu 0,3 ponto percentual (p.p.), na variação mensal, e 3,2 p.p, em 12 meses, para 20,5% ao ano. No crédito livre não rotativo, a média do ICC ficou em 26,7% a.a., com altas de 0,3 p.p,. em junho, e de 4,0 p.p., em 12 meses.

O juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito, por exemplo, passou de 368,8% ao ano, em maio, para 370,4%, em junho, – o maior patamar registrado no ano. O custo anual do cheque especial também subiu, passando de 314,9%, em maio, para 316,9% ao ano, em junho.

O spread – margem dos bancos sobre os empréstimos, incluindo lucro e custo operacional – geral do ICC aumentou 0,1 p.p., no mês, para 13,4 p.p., em 12 meses, acumulando elevação interanual de 1,3 p.p.

Diante do custo elevado dos empréstimos e ao aumento do endividamento das famílias, a taxa média de inadimplência permanece no maior patamar do ano, de 2,7%, mesma taxa registrad desde abril, segundo os dados do BC.

Dados do mercado de crédito

De acordo com dados do Banco Central, o volume de crédito ampliado ao setor não financeiro cresceu 3% no mês de junho em relação ao anterior, passando para R$ 14,1 trilhões, o equivalente a 153,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse resultado, segundo a autoridade monetária, foi decorrente, principalmente, do aumento da dívida externa, que cresceu 6,8% devido à desvalorização cambial no mês, de 10,8%.

O crédito ampliado às empresas cresceu 4,6% em junho, para R$ 4,8 trilhões (52,7% do PIB) na mesma base de comparação. Enquanto isso, o crédito às famílias avançou 1,3%, para R$ 3,1 trilhões (34,2% do PIB), no mesmo período.

Conforme os dados do BC, o estoque das operações de crédito do SFN cresceu 1,6% em junho, na comparação com maio, somando R$ 5 trilhões. As concessões de crédito totalizaram R$ 503,9 bilhões em junho, registrando acréscimo de 24,8% no acumulado em 12 meses. Nas séries com ajuste sazonal, as concessões para empresas recuaram 0,9%, enquanto no segmento de pessoas físicas, cresceram 1,8%.

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