08/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

FMI vê alta maior do PIB brasileiro em 2022, mas previsão para 2023 recua

Publicado em 26 de julho, 2022

FMI vê alta maior do PIB brasileiro em 2022, mas previsão para 2023 recua

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou nesta terça-feira (26), para 1,7%, a estimativa para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil este ano. Em relatório divulgado em março, a previsão era de uma alta de 0,8%. Três meses antes, a estimativa era ainda menor, de alta de 0,3%.

A revisão do PIB brasileiro deste ano foi na contramão dos dados globais – para a economia mundial, o fundo reduziu a previsão de crescimento em relação ao relatório de março, de 3,8% para 3,2%.

Mesmo assim, o crescimento brasileiro este ano deve ser menor que o de quase todos os países que tiveram os dados revisados nesta terça: apenas a Alemanha (1,2%) e a Rússia (-6%) devem ter desempenhos piores este ano. Fica atrás também da estimativa para a América Latina e Caribe, que deve crescer, como um todo, 3% este ano.

Para 2023

Já para o próximo ano, a estimativa para o Brasil seguiu a tendência global, e também recuou. De uma alta esperada de 1,4% no relatório de março, o FMI agora vê uma expansão de apenas 1,1%.

Em todo o mundo, a piora nas estimativas foi um pouco mais acentuada: o fundo estima um crescimento e 2,9% do PIB em 2023, 0,7 ponto percentual abaixo do esperado no relatório de janeiro.

De acordo com o FMI, a economia global teve contração no segundo trimestre deste ano, puxada principalmente pela Rússia (por conta da guerra na Ucrânia e das sanções aplicadas pelos demais países) e pela China (onde longos períodos de lockdowns para conter a pandemia da Covid-19 prejudicaram as atividades).

O consumo nos Estados Unidos, que ficou abaixo das expectativas, também prejudicou o desempenho da economia global, assim como a inflação.

“A inflação global foi revisada para cima graças aos preços dos alimentos e de energia, assim como duradouros desbalanceamentos de oferta e demanda, e antecipa-se que deve atingir 6,6% nas economias avançadas, e 9,5% em mercados emergentes e em economias em desenvolvimento”, apontou o FMI no relatório.

Riscos negativos

O relatório do FMI é pessimista quanto ao futuro da economia global, e aponta que os riscos para as perspectivas “estão fortemente inclinados para o lado negativo”.

“A guerra na Ucrânia pode levar a uma parada súbita das importações da gás da Rússia; a inflação pode ser mais difícil de ser contida do que antecipada – tanto se os mercados de trabalho ficarem mais ‘apertados’ que o esperado ou se as expectativas para a inflação se desancorarem –; as condições mais difíceis de crédito podem induzir ao endividamento em mercados emergentes e economias em desenvolvimento; novas ondas de Covid e lockdowns, assim como a escalada da crise do setor imobiliário, podem agravar a desaceleração do crescimento chinês; e a fragmentação geopolítica pode travar o comércio e a cooperação globais”, descreve o FMI.

Em um cenário em que esses riscos se materializem, o fundo estima que o crescimento global desacelere a 2,6% este ano, e a 2% em 2023 – o que levaria a um desempenho entre os 10% piores desde 1970.

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