
Jornalista e indigenista estão sendo procurados no Município de Atalaia do Norte, cuja sede municipal é vista na foto feita de helicóptero
A investigação sobre o desaparecimento do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, no Vale do Javari, Alto Solimões (AM), chega a sete dias e tem novidades. A polícia encontrou vísceras (estômago) boiando no rio e trouxe o material para Manaus. O laboratório do Instituto Médico Legal (IML), da Polícia Civil, analisa para saber se é humano.
A descoberta remete a uma prática comum de criminosos que atuam na tríplice fronteira Brasil-Peru-Colômbia: o evisceramento das vítimas, com o objetivo de evitar que corpos venham à tona.
Os investigadores também encontraram restos de sangue no barco de Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, 41, preso como suspeito. “O sangue tinha sido lavado e só apareceu com o uso de luminol. Como o barco era usado para caça e pesca, não é possível descartar que o material tenha vindo daí. Mas tudo indica que o sangue é humano mesmo. Agora está sendo feita a análise comparativa com o DNA das vítimas, que já está em poder dos peritos”, disse a fonte.
O portal ainda aguarda confirmações oficiais, uma vez que os órgãos envolvidos concentraram na Polícia Federal os comunicados à imprensa.
Outra hipótese, muito próxima de ser confirmada, é que os mandantes de um possível crime sejam pescadores legais e ilegais da região. Bruno Pereira vinha denunciando, com insistência, a pesca ilegal de pirarucu dentro da Terra Indígena Vale do Javari.
O narcotráfico é responsável pelo financiamento de setores da pesca. A atividade seria usada tanto para o transporte de cocaína quanto para a lavagem de dinheiro.
Os policiais estão vasculhando toda a região. Apesar do aumento da possibilidade de que jornalista e indigenista tenham sido mortos e jogados no rio, a busca em terra foi mantida.
Exército, Marinha, Polícia Federal (PF), Polícia Civil (PC), Corpo de Bombeiros e Polícia Militar (PM) estão trabalhando na área, com uso de lanchas rápidas e helicópteros.
A maior dificuldade é que o trecho onde os dois desapareceram é marcado por inúmeros furos (pequenas ligações entre lagos) e igarapés. A cheia do rio, que está no auge na região, faz com que todos esses canais estejam disponíveis para navegação.
Outro dado patente é quanto ao desconhecimento sobre a Amazônia. Jornal de grande circulação chegou a publicar erro crasso sobre distâncias entre cidades, no Alto Solimões. Tabatinga, segundo esse veículo, estaria a 3 horas e meia de barco de Benjamin Constant. Na verdade, a viagem de lancha entre as duas cidades dura cerca de 15 minutos – é só uma travessia do rio Solimões.