29/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Esperança no Javari: general afirma que não há ‘indícios fortes de crime’

Publicado em 08 de junho, 2022

Foto: Reprodução

Durante entrevista coletiva realizada na tarde desta quarta-feira (8), na superintendência da Polícia Federal, órgãos federais e estaduais de Segurança Pública apresentaram a situação das investigações sobre o desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, e o indigenista Bruno Araújo Pereira, da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Os dois desapareceram no Vale do Javari, no Amazonas, quando faziam o trajeto entre a comunidade Ribeirinha São Rafael até a cidade de Atalaia do Norte, no último domingo (5).

O titular da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), general Carlos Alberto Mansur, afirmou que ainda há esperança de encontrar Bruno e Dom vivos. “Não temos indícios fortes de crime, ainda estamos investigando”, disse.

Mansur informou que os dois passaram pela comunidade São Rafael, antes de desaparecer, mas não há vestígios se foram ou não vítimas de sequestro. “Temos esperança de encontrá-los vivos. Podem ter tido algum problema com a embarcação, estarem em algum lugar da selva. Aquele é um lugar complexo”, comentou o general.

De acordo com o superintendente da Polícia Federal (PF) no Amazonas, Eduardo Alexandre Fontes (nomeado dia 25/04/2022), a região onde o jornalista e o indigenista desapareceram é uma “região de criminalidade intensa”. “O tráfico de drogas transacional talvez seja o mais forte ali sobretudo em razão da faixa de fronteira com Peru e Colômbia, há o garimpo ilegal, sabemos da ocorrência de exploração ilegal de madeira, pesca ilegal. No caso da Polícia Federal trabalhamos de forma ostensiva com os outros órgãos, mas sobretudo um trabalho de inteligência, investigativo para apurar realmente se há algum crime nesse desaparecimento”, disse.

A Polícia Federal já instaurou um inquérito para apurar as organizações criminosas que atuam nessa região, dedicadas ao tráfico de drogas e a crimes transfronteiriços. “E paralelo a isso, claro, sem prejuízo a essa investigação, também vamos apurar eventual homicídio caso tenha ocorrido. Não descartamos nenhuma linha investigativa”, ressaltou Fontes.

Atualmente, 250 agentes federais estão na região de Atalaia do Norte atuando na busca pelos desaparecidos. Fazem parte da operação duas aeronaves, três drones, 16 embarcações e 20 viaturas.

O general Mansur também informou que, por parte da Segurança Pública, seis pessoas já foram ouvidas, cinco delas como testemunhas que estiveram próximas, antes do desaparecimento de Bruno e Dom. A sexta pessoa é um suspeito. “Esse suspeito, por enquanto, ainda não fizemos a ligação dele com o fato do desaparecimento”.

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