
Genivaldo de Jesus Santos foi morto asfixiado por policiais rodoviários federais em Sergipe. Foto: Reprodução
“Não é a primeira vez que morre alguém com gás lacrimogêneo no Brasil. Se pesquisar um pouquinho, até nas Forças Armadas já morreu gente. Eles queriam matar? Eu acho que não. Lamento. Erraram? Erraram. A Justiça vai decidir. Acontece, lamentavelmente”.
O comentário sobre a morte de Genivaldo de Jesus Santos, que tinha 38 anos, foi feito pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta sexta-feira (3), durante entrevista à imprensa em Foz do Iguaçu (PR).
No dia 25 de maio, três policiais rodoviários federais abordaram Genivaldo por pilotar uma moto sem capacete, na BR-101, no município de Umbaúba, localizado no sul do estado de Sergipe. Imagens veiculadas na internet mostram a vítima presa dentro de uma viatura esfumaçada. O homem se debate com as pernas para fora enquanto um policial rodoviário mantém a tampa do porta-malas abaixada, impedindo o homem de sair.
Segundo o Instituto Médico Legal (IML) do estado, a vítima morreu de insuficiência aguda secundária a asfixia.
Antes de ser colocado dentro da viatura, Genivaldo foi imobilizado, atingido com spray nos olhos, jogado ao chão e recebeu chutes dos policiais.
Os policiais envolvidos diretamente na abordagem – Kleber Nascimento Freitas, Paulo Rodolpho Lima Nascimento e William de Barros Noia – foram afastados de suas funções, mas ainda estão em liberdade.
Bolsonaro também disse em Foz do Iguaçu que não se deve demonizar os agentes da Polícia Rodoviária Federal, e que o caso da morte de dois policiais rodoviários federais, que aconteceu há cerca de duas semanas em Fortaleza, deve ter influenciado a decisão dos policiais em Sergipe.
“Eles queriam matar? Eu acho que não queriam matar. Eles queriam imobilizar o cara, pensado talvez no que tinha acontecido na semana anterior. Com toda a certeza estão arrependidos. Ninguém quer passar a mão na cabeça de ninguém.”
A Polícia Federal tem 30 dias para concluir a investigação sobre o caso. Três testemunhas já foram ouvidas: a viúva Fabiana, a irmã Damarise e o sobrinho Walllison Santos, que presenciou a abordagem.
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