12/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Reajuste em planos de saúde pode causar abandono de tratamentos, diz estudo

Publicado em 31 de maio, 2022

Reajuste em planos de saúde pode causar abandono de tratamentos, diz estudo

O reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), de 15,5% nos planos de saúde individuais e familiares para 2022 — o maior aumento desde o início da série histórica em 2000 —, pode paralisar precocemente o tratamento de pacientes no país, segundo um estudo da Associação Médica Brasileira (AMB).

Atualmente, o serviço de planos individuais e familiares abrange mais de 50 milhões de brasileiros, cerca de 20% da população. A expectativa é que o novo reajuste, anunciado na última semana, seja aplicado no período entre maio de 2022 e abril de 2023.

De acordo com o estudo da AMB, 88,3% dos médicos que atuam no Brasil já presenciaram pacientes abandonarem tratamentos por conta de reajustes das mensalidades dos convênios — número que pode aumentar com a alta recorde no custo do serviço no país, segundo a entidade.

“Os aumentos das mensalidades, todos os anos bem acima da inflação, não apenas levam milhares a abandonar os tratamentos no meio do caminho como engrossam as filas do Sistema Único de Saúde, subfinanciado e já insuficiente para um acolhimento digno”, destaca o pediatra e diretor da APM, Marun David Cury.

A pesquisa contou com a participação de aproximadamente 3 mil médicos, ao longo do primeiro semestre deste ano. O estudo da AMB foi conduzido em parceria com a Associação Paulista de Medicina (APM).

Estudo

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

O estudo também apontou que 80,6% dos médicos brasileiros já sofreram restrição de planos de saúde, após solicitar ao paciente a realização de exames laboratoriais.

Dentro deles, 19,8% dos profissionais afirmam que o controle por parte dos planos acontece “com frequência”.

Entre os procedimentos médicos mais comuns entre os pacientes no Brasil estão os tratamentos contra diabetes e câncer.

Para o endocrinologista e clínico Ricardo Oliveira, a falta de um procedimento adequado pode acarretar graves complicações aos pacientes acometidos por essas doenças.

“Estamos falando de milhões de pacientes que tinham interrompido o tratamento por causa da pandemia e agora, por conta da alta no preço do plano, vão precisar paralisar de novo os procedimentos médicos. Um exemplo é a diabetes, que acomete 16 milhões de brasileiros, que requer um acompanhamento e um tratamento bem específico e rígido”, argumentou Oliveira.

Em nota, a ANS afirmou que os reajustes dos planos de saúde são necessários para que as mensalidades acompanhem a variação no preço dos procedimentos e na quantidade de serviços utilizados, e que, com isso, haja continuidade da prestação.

O comunicado ainda diz que a agência utilizou a metodologia de cálculo que vem sendo aplicada desde 2019 para realizar o reajuste mais recente.

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