
Avanço da taxa de transmissão da Covid preocupa especialistas
O aumento da taxa de transmissão da covid-19 no Distrito Federal deixa especialistas em alerta. O índice, que mede a reprodução da pandemia, está subindo desde 18 de março, quando registrava 0,54. Apesar de leves quedas pontuais de lá para cá, a tendência é de crescimento.
Nessa sexta-feira (27/5), o número chegou a 1,44 e superou o maior dado de 2021 — 1,35, em 7 de março. O valor de sexta aponta que cada 100 brasilienses com a doença podem transmiti-la, em média, a outros 144. A Secretaria de Saúde (SES-DF) não confirmou nenhuma morte pela doença em dois dias — o primeiro dia sem óbitos havia sido em 28 de abril.
O comportamento dos casos da doença, porém, confirmam a alta no contágio. A média semanal de infecções de sexta-feira cresceu 255% em relação ao dado de duas semanas atrás e fechou em 919. Este sábado (28/5), há cinco pontos de vacinação contra a covid-19, confira no site do Correio. Domingo (29/5) não haverá atendimento.
Na última quinta-feira, foi divulgado o novo Boletim InfoGripe Fiocruz, que sinaliza continuidade na tendência de aumento dos casos de covid-19 em todo o país.
Cerca de 48% das ocorrências de Síndrome Respiratória Aguda Grave registradas nas últimas quatro semanas são em função do Sars-CoV-2, com percentual de 84% considerando os óbitos. A análise é referente à Semana Epidemiológica (SE) 20, no período entre 15/5 e 21/5. O vírus não lidera o ranking de notificações apenas entre crianças de zero a 4 anos de idade, onde o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) tem sido mais recorrente.
Em contrapartida, o médico infectologista Hemerson Luz diz que o aumento era esperado devido a um conjunto de fatores dos últimos meses. “No tempo frio ocorre uma piora nas doenças infecciosas respiratórias e a covid está nesse grupo”, afirma. Segundo ele, a alta no número de casos também está associada à predominância da variante ômicron e das subvariantes, além das medidas restritivas que foram flexibilizadas e a volta das pessoas a frequentarem eventos, festas e comemorações de carnaval.
No entanto, o especialista diz que não é momento para a população se desesperar, mas sim de cautela. “É normal que ocorra essa oscilação na taxa de transmissão. Por isso, a população deve ficar atenta e quem tiver qualquer sintoma deve se isolar e utilizar máscara caso precise se expor”, orienta. Segundo o infectologista, um fator positivo é que os óbitos não estão acompanhando essa tendência da alta. “Isso indica que a vacinação está realmente protegendo a população e essa questão vacinal tem que ser priorizada, tanto a da covid-19, quanto da influenza”, completa.
Por enquanto, para Hemerson Luz, as medidas restritivas não devem ser avaliadas , mas as autoridades de saúde devem tomar providências quanto a condutas pontuais, como analisar aumento em determinadas regiões para que reforce a cobertura vacinal. “Caso haja um aumento muito expressivo, aí sim corre o risco de uma sobrecarga nos hospitais. Isso junto com a somatória de doenças respiratórias, não só a covid.”
A assistente administrativa Maria Gabrielle Martins Cordeiro, 25 anos, tem sentido na pele o aumento do contágio da covid-19. A moradora de Sobradinho está com a doença e começou a manifestar os sintomas na quarta-feira da semana passada. Adepta ferrenha do isolamento social desde o começo da pandemia, é a primeira vez que a jovem contraiu covid. “Eu me isolei totalmente no início. Só estou saindo agora, que estou vacinada”, conta. Ela, que está com leve dor de cabeça e sensação de febre, recebeu a terceira dose em fevereiro.
A Secretaria de Saúde informou que “segue atenta a todas as mudanças no cenário epidemiológico da covid-19 no Distrito Federal”. A pasta garante que, se preciso, tomará as medidas cabíveis, junto às demais autoridades sanitárias.
“É importante reforçar que a taxa de transmissão não é o único indicador utilizado para definição do cenário epidemiológico. É essencial avaliar em paralelo a média móvel de casos e de óbitos, o percentual de positividade, o número de casos ativos, entre outros indicadores. Todas as medidas tomadas para combate ao coronavírus são baseadas em avaliações de especialistas, critérios científicos e dados técnicos. A situação é monitorada todos os dias, em tempo real”, completou, em nota, a SES-DF.
É necessário se precaver contra a infecção, ainda que, felizmente, a situação das mortes por covid-19 no DF não seja alarmante. Muitos brasilienses ignoram a necessidade das doses de reforço. No total, o DF tem 356,5 mil habitantes acima de 60 anos, público apto a receber a segunda aplicação extra, chamada de quarta dose (D4).
Desses, cerca de 126 mil tomaram a D4, número que corresponde a 35% do grupo. A abrangência restrita da quarta dose não explica a baixa adesão. De acordo com a Secretaria de Saúde, 743 mil pessoas no DF que estão autorizadas a receber a primeira dose de reforço (D3) não retornaram às unidades de saúde.
Os pontos de vacinação têm lidado cada vez mais com a vacância de quem não toma as doses complementares. No Posto de Saúde n°2, do Cruzeiro, o movimento de sexta-feira era pequeno. A auxiliar de enfermagem Jania Mendes, que atua na unidade, afirma que a falta de pacientes dura há algum tempo.
“Ninguém mais pega fila aqui (para se vacinar). Não tem explicação para essa despreocupação. Aqui, a testagem rápida cresceu e a positividade aumentou: só na quarta-feira à tarde, tivemos 10 casos positivos em 20 pacientes testados”, conta a profissional. Justamente pelo ritmo da transmissão, a enfermeira crê que os postos de vacinação voltem a ser procurados.
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