28/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Ipea aponta que inflação segue mais alta para os mais pobres em abril

Publicado em 16 de maio, 2022

Ipea aponta que inflação segue mais alta para os mais pobres em abril

Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) nesta segunda-feira (16) mostra que, em abril, quando analisada por faixa de renda, o impacto da alta da inflação segue maior para a população de renda mais baixa, embora o fenômeno tenha sido detectado em todos os grupos analisados.

No segmento de renda alta, maior que R$ 17.260,14 por domicílio, a inflação foi de 1%, segundo o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda. Na outra ponta, para a renda muito baixa, menor que R$ 1.726,01, a variação foi de 1,06%.

Ao longo dos quatro primeiros meses de 2022, o segmento de renda muito alta percebe uma inflação de 3,7%, contra 4,5% de renda muito baixa.

No acumulado de 12 meses, o primeiro grupo lida com taxas de 10,8%, contra 12,7% do segundo. O Ipea, órgão federal vinculado à estrutura do Ministério da Economia, trabalha com seis faixas de renda.

Nas três mais baixas, a maior contribuição à inflação do período veio do grupo de alimentos e bebidas. Já para as outras três, o principal impacto foi sentido nos transportes.

Nos alimentos, os principais pontos de pressão na alimentação domiciliar foram batata (18,3%), leite (10,3%), óleo de soja (8,2%) feijão (7,1%) e pão francês (4,5%).

O grupo de bebidas e alimentos respondeu por 61% de toda a inflação apurada no segmento em abril. Para a faixa de renda mais alta, esse papel coube ao transporte, que proporcionou 60% da alta do período.

Ipea

Inflação concentrada em passagens aéreas (9,5%), etanol (8,4%), diesel (4,5%), transporte por aplicativo (4,1%) e gasolina (2,5%). O Ipea destaca ainda que a alta inflacionária foi atenuada para todas as faixas e renda graças à redução de 6,3% nas tarifas de energia elétrica.

“Este alívio foi mais intenso para as famílias de renda mais baixa, dado o elevado peso deste item nas suas cestas de consumo”, diz o trabalho.

Os dados dos últimos 12 meses, para a renda mais baixa, são impulsionados principalmente pelos alimentos in-natura: cenoura (alta de 178,1%), tomate (103,3%) e batata (63,4%).

Na habitação, os principais impactos são do botijão de gás (32,2%) e da energia elétrica (20,5%).

Na faixa de renda mais alta, a pressão dos 12 meses está nos mais presente nos combustíveis: gás natural veicular (45,2%), etanol (42,1%) e gasolina (31,2%). Essas variações afetaram o segmento de transportes, como o deslocamento por carros de aplicativos (67,2%) e táxis (14,3%) e passagens aéreas (14,3%).

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