10/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Inadimplência volta ao pico da pandemia com alta da inflação e juros

Publicado em 12 de abril, 2022

Inadimplência volta ao pico da pandemia com alta da inflação e juros

O nível de inadimplência no Brasil ultrapassou em fevereiro a marca de 65 milhões de pessoas pela primeira vez desde maio de 2020, quando o país e o mundo enfrentavam o auge da primeira onda da pandemia de Covid-19.

O último levantamento mensal realizado pela Serasa, divulgado na semana passada, mostra que 65.169.146 de pessoas encontravam-se inadimplentes. O número é superado nos últimos dois anos em apenas dois períodos: abril de 2020, que registrou 65.908.612 inadimplentes, e maio daquele ano, com 65.231.943 de devedores.

O dado de fevereiro deste ano é superior ao registrado em todos os outros meses entre 2020 e 2022, inclusive ao período pré-pandemia. Em fevereiro de 2019, por exemplo, 62.172.903 estavam em situação de inadimplência — 3 milhões a menos.

Segundo especialistas ouvidos, a inadimplência no Brasil hoje possui traços diferentes daqueles que eram observados em 2020, quando o mundo experimentou o início de uma crise provocada por um novo vírus.

“Nós atingimos um número de pessoas semelhantes ao do início da pandemia, mas as causas são diferentes”, disse Patrícia Camillo, gerente da Serasa.

Ela explicou que a escalada da inflação e dos juros a partir do surgimento da pandemia da Covid-19 fizeram com que a inadimplência atingisse, atualmente, patamares elevados.

Em 17 de junho de 2020, a Selic estava na mínima histórica de 2,25% ao ano, enquanto o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor-Amplo) no acumulado de 12 meses era 2,13%. Atualmente, a taxa básica de juros é 11,75% ao ano, enquanto a inflação dos últimos 12 meses chegou a 11,30%.

De acordo com Patrícia Camillo, apesar de o início da pandemia ter sido muito delicado para a economia, o período contou com incentivos e estímulos governamentais que impediram que os dados daquele tempo fossem ainda piores.

No atual cenário, a reabertura de estabelecimentos e a retirada de medidas de restrições contribuem para a retomada da economia, que por sua vez possui alguns segmentos historicamente com taxas de inadimplência maiores, como é o caso de bancos e cartões.

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