12/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Grupo de ajuda mútua para familiares de crianças com autismo é lançado pela SES-AM no Caic Dr. José Contente

Publicado em 06 de abril, 2022

Helione Pontes, diretora do Caic Dr. José Clemente, na zona Leste de Manaus. Foto: Divulgação/Artur Castro/Secom

A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) lançou no Centro de Atenção Integral à Criança (Caic) Dr. José Contente, na zona Leste de Manaus, um grupo de ajuda mútua às famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidas na unidade. O grupo é formado por mães e responsáveis e tem como objetivo orientar e acolher os familiares que possuem crianças com o TEA ou que estão em busca do diagnóstico.

O grupo surgiu após a direção e servidores do centro notarem o crescente número de pacientes com autismo que realizam acompanhamento na unidade e a procura pelo diagnóstico do transtorno. De acordo com a diretora do Caic, Helione Pontes, a experiência dos profissionais, que também possuem crianças com TEA, ajudou a avançar com essa iniciativa.

“Quando eu cheguei aqui, vi o número de crianças que vem em busca de diagnóstico e que procuram essa unidade para acompanhamento. Fiquei pensando ‘o que que a gente pode fazer?’ e junto com a experiência da Joyce [Queiroz, técnica de enfermagem do Caic], enquanto mãe e suas dificuldades apresentadas, pensamos em desenvolver essa estratégia de fazer um grupo com essas mães, em uma perspectiva de acolhê-las, orientá-las para fazer um trabalho de direito e cidadania, uma parceria com as escolas porque não existe uma receita única”, ressalta a psicóloga.

A técnica de enfermagem do Caic, Joyce Queiroz, é mãe de um menino de 10 anos com autismo. Ela relata que no início dos primeiros sinais e do diagnóstico do TEA não teve o suporte de um grupo de ajuda e precisou buscar sozinha informações. A partir dessa experiência ela ajudou a criar essa rede de apoio na unidade.

“A necessidade da nossa comunidade, pelo que a gente observa aqui, é que o número a cada dia é bem crescente e a procura nos grupos de redes sociais nós vemos questionamentos de muitas mães querendo saber ‘meu filho ele chora muito, ele tem muitas estereotipias (comportamentos motores ou verbais repetidos), o aprendizado, a sociabilidade deles é pouca ou não tem’. E diante disso que a gente viu a necessidade desse grupo, que é justamente para acolher essas mães da comunidade e adjacências, para gente trocar essas experiências de nós, mães de autistas”, afirma a técnica.

Reuniões

O primeiro encontro do grupo de ajuda mútua ocorreu na terça-feira (5/4). Os próximos serão realizados a cada 15 dias, na unidade, e abordarão os temas: diagnóstico x processo de negação; emoções vividas; conscientização social; papel fundamental da escola; direito e cidadania; desafios diários com trocas, a partir do relato das mães compreendendo que elas não estão sozinhas.

Os encontros do grupo de ajuda mútua serão realizados a cada 15 dias na unidade de saúde. Foto: Divulgação/Rodrigo Santos/SES-AM

“[O grupo] vai acontecer a cada 15 dias aqui mesmo. Nós temos estagiários de psicologia, trabalhadores que têm pessoas com autismo em casa e que vão somar. Nós temos Caic+ que vão ser também um ponto de apoio. A gente só tem a agradecer a oportunidade e ter o privilégio de fazer o primeiro grupo de ajuda mútua dentro de uma unidade de saúde do estado, no sentido de acolher as mães de autistas”, reforça a diretora do Caic Dr. José Contente.

Assistência

O atendimento inicial na rede pública de saúde deve começar em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), de responsabilidade das prefeituras. Após a primeira avaliação médica, o paciente será encaminhado, via Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), para as especialidades essenciais para o diagnóstico do TEA. A criança com autismo precisa de acompanhamento por equipe multidisciplinar, respeitando as necessidades e singularidades de cada paciente.

Abril Azul

É o mês da conscientização mundial sobre o autismo. O mês foi escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, para lembrar a data e chamar a atenção da sociedade para o TEA.

No autismo, o azul estimula o sentimento de calma e de maior equilíbrio para as pessoas. Nesse caso, o azul auxilia em situações em que a criança, por exemplo, apresenta uma sobrecarga sensorial, algo que precisa ser superado com sabedoria para o seu bem-estar.

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