09/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Coreógrafa Francis Baiardi representa o Amazonas na programação on-line da 5ª Mostra de Dança Itaú Cultural

Publicado em 06 de abril, 2022

O solo “Apoena – Aquele que Vê Longe”, da pesquisadora amazonense Francis Baiardi, trata de questões urgentes e sensíveis sobre humanidade. Foto: Divulgação

A dança permeia boa parte da programação on-line e presencial que o Itaú Cultural realiza durante abril, com a 5ª Mostra de Dança Itaú Cultural, conduzida pela pergunta “Por que Dançamos?”. Do dia 10 deste mês a 1º de maio, convidados de oito estados e três diferentes países levam o público a questionar, por meio de coreografias e trocas de ideias, sobre os motivos que levam os corpos a movimentar-se, relacionando-se consigo, com o outro e com o espaço, em uma experiência coletiva de sensações e sentidos.

A partir das 9h do domingo, dia 10/4, entra no site do instituto a programação on-line que pode ser conferida até o dia 1º de maio. Por sua vez, as trocas presenciais com a plateia ficam por conta da programação realizada de 13 a 17 de abril (quarta-feira a domingo), no palco da instituição. As atividades são gratuitas, e os ingressos devem ser reservados pela INTI (acesso pelo site www.itaucultural.org.br).

Confira a programação presencial aqui.

Na rede

Das 9h de 10 de abril (domingo), entra no site do instituto a programação on-line que segue até 1º de maio. Nela, espetáculos da região Norte dividem espaço com uma mostra com artistas do Espírito Santo. Também no virtual, mas via Zoom, um debate leva ao campo das ideias a pergunta “Por que Dançamos?”.

Do Amapá, participa a Cia. Casa Circo de Artes Integradas, com “A Mulher do Fim do Mundo”. Neste solo, a atriz e bailarina Ana Caroline vive as reflexões de uma mulher negra, que se depara com a existência de um corpo que respira a cada segundo para se manter em pé. Assim, estabelece um diálogo visceral, no qual um corpo negro e suas infinitas capacidades de afetação valida a existência de vários corpos que atravessam gerações flagelados socialmente.

O solo “Apoena – Aquele que Vê Longe”, da pesquisadora amazonense Francis Baiardi, trata de questões urgentes e sensíveis sobre humanidade. Temas como ancestralidade, direitos e expropriação são discutidos por meio de um corpo que carrega suas heranças, mas é atravessado pela violência do homem contemporâneo. Nessa volta ao passado, traz um olhar especial aos primeiros habitantes do Brasil e que hoje são indígenas sem-terra, questão imposta pelos colonizadores.

Mostra Lab.IC

Da Mostra Lab.IC, no ambiente virtual, ficam disponíveis no site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br, videodanças e videoperformances de seis artistas sobre temas que vão de estereótipos e exploração do meio ambiente à descolonização do corpo e objetificação da mulher negra. O projeto – que pode ser visto como uma mostra dentro da própria mostra – é capixaba, do Laboratório do Intérprete-Criador (Lab.IC), contemplado pelo programa Rumos Itaú Cultural 2019-2020.

Um dos seis trabalhos é “O Amanhã Talvez Não Exista”, série em três episódios de videodanças do artista e pesquisador em dança Marcelo Oliveira, que questiona o que fazer com um corpo em processo de luto. Para deixar a mente vaguear, o artista leva para o corpo a expressão desses sentimentos, com memórias afetivas que são despertadas, acolhidas e transformadas.

“Mover Híbrido”, do artista de dança contemporânea e mestre-sala em escola de samba Juliander Agrizzi, põe em questão os rótulos que são dados à pele ao longo do trajeto da vida. E, simbolicamente, o corpo fissurado fica exposto às contaminações do mundo.

A bailarina e coreógrafa Lalau Martins traz em “Ísinqé” a sua pesquisa sobre a esteatopigia (hipertrofia das nádegas por acúmulo de gordura) do povo Khoikoi, do sul da África – em especial nas mulheres, como Sarah Baartman (1789-1815), que foi exibida na Europa como uma aberração africana. Ela observa que, ainda hoje, muitas mulheres, em especial as negras, seguem sendo vistas como se não tivessem ancestralidade, sentimentos, desejos, mas sim como objeto de prazer sexual e curiosidade.

Ainda na motra Lab.IC, o intérprete-criador Farley José trata de identidade em “Terra Santa”. Nela, um homem afeminado é uma arte-política ao nascer com uma aparente divergência. E nesse movimento interno de cura, parte-se do trauma rumo à libertação.

A vídeo-instalação “Vernissage: Muxima de Nganga, Meu Corpo Canta e Dança”, de Yuriê Perazzini, por sua vez, questiona como ressignificar as histórias de violência da comunidade brasileira. Nesse processo, recorre aos ritos de autocura, autoconhecimento e de afirmação da ancestralidade afro diaspórica.

Por fim, na ecoperformance e documentário “Lavra”, o artista multimídia Weber Cooper denuncia e anuncia a relação entre homem e meio ambiente. Para tanto, leva a dança a ambientes de extração de mármore e granito no município de Cachoeiro de Itapemirim — pólo produtor de rochas ornamentais no Sul do Espírito Santo –, entrecruzando narrativas do passado, presente e futuro à (re)descoberta de uma ecologia somática.

YouTube

Ainda dentro da mostra on-line, no dia 15 (sexta-feira), entra no ar às 20h, no YouTube do IC www.youtube.com/itaucultural, “Insolente”, um trabalho em construção do Grupo Gestus, que depois pode ser assistido até o dia 1º de maio. Tendo em cena a artista da dança Gilsamara Moura, do Brasil, a bailarina argentina residente no Paraguai Alejandra Días Lanz, e a turca radicada na França Pinar Selek, feminista, antimilitarista, socióloga, escritora e ativista, ele traz um olhar profundo sobre a mulher, sobre seguir em frente, mesmo com medo. Busca pistas para um mundo com mais equidade e menos opressão.

Já no dia 16 (sábado), acontece a mesa “Por que Dançamos?”, mediada pela pesquisadora carioca de dança Mariana Pimentel, que recebe convidadas que já tiveram projetos contempladas pelo Rumos para debater sobre o tema central da programação. São elas Inah Irenam, do projeto EPA! Encontro Periférico de Artes, da Bahia; Danielle França, do Frevo às Cegas, de Pernambuco; e Ivna Messina, do Lab.IC, do Espírito Santo. O encontro acontece pelo Zoom, sendo necessário reservar ingresso pela Sympla.

Serviço

5ª Mostra de Dança Itaú Cultural – Por que Dançamos?

Programação on-line

Espetáculos

De 10 de abril (domingo), às 9h, a 1 de maio (domingo), às 22h59

Disponível 24 horas por dia, no site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br

Insolente – work in process

De 15 de abril (sexta-feira), às 20h, a 1º de maio (domingo), às 22h59

Disponível 24 horas por dia, no YouTube do Itaú Cultural www.youtube/itaucultural

Mesa Por que Dançamos?

Dia 16 de abril (sábado), às 15h

Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla.

Outras informações em www.itaucultural.org.br

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