Assédio moral: aprenda a identificar e saiba como se proteger

Foto: Divulgação

Trabalhar sob condições de pressões exageradas, perseguições pessoais, humilhações e desvalorização do trabalho pode impactar negativamente não apenas a produtividade de um empregado, como também sua saúde física e mental, além de prejudicar sua convivência social e familiar. Segundo dados recentes do Tribunal Superior do Trabalho (TST), somente no ano passado, quase 60 mil pessoas foram vítimas de assédio moral em todo o país.

O assédio moral é uma conduta abusiva contínua e sistemática praticada em decorrência da atividade profissional e pode ocorrer em ambientes de trabalho ou até mesmo no meio virtual. Geralmente, o assédio moral mais comum é o praticado por chefes ou pessoas de nível hierárquico superior (assédio vertical), mas essa conduta pode ser identificada entre colegas de trabalho de mesmo nível hierárquico (assédio horizontal) e até mesmo em práticas de gestão discriminatórias contra determinado grupo ou categoria (assédio institucional).

O assédio pode ser caracterizado por gestos, gritos, mensagens agressivas, humilhação diante de outros funcionários, demanda exagerada de trabalho e, em casos mais graves, agressões físicas.

“Muitas pessoas vítimas dessas situações se sentem incapazes de buscar ajuda, pois têm medo de colocar seu emprego em risco. No entanto, elas precisam de orientação, empatia e saber que não estão fazendo nada de errado, mas que estão sendo vítimas de um abusador e que isso não pode ficar impune”, afirmou Marlon Bernardo, Presidente do Sindicato dos Servidores do Ministério Público do Amazonas (SINDSEMP – AM).

Foi isso o que aconteceu com a funcionária Pública Alessandra Ladeira por mais de dois anos. “Eu era sempre diminuída e os resultados que eu apresentava – que eu tinha certeza que eram positivos – eram menosprezados. Eu cheguei até a duvidar da minha capacidade profissional e acabei desenvolvendo transtorno de ansiedade”, afirmou.

Marlon explica que, mesmo diante do quadro de assédio, os funcionários dispõem de recursos e vários canais de denúncia: “O funcionário que se sente agredido tem que expor o caso a pessoas de confiança, podendo ser outros colegas de trabalho ou sua família. Além de buscar neles uma rede de apoio, ele deve assegurar testemunhas caso precise relatar o caso em juízo no futuro. Além disso, é de suma importância que ele arquive documentos, e-mails, mensagens, áudios e vídeos que comprovem o assédio”, enumerou.

Outra forma de combate está no aspecto comportamental: “É importante se impor contra o agressor, chamar sua atenção e pedir claramente que aquela conduta pare. Isso pode quebrar um ciclo de abuso, visto que o abusador saberá que não tem poder sobre aquela pessoa”, afirmou.

Por fim, é possível denunciar as atitudes do assediador moral no departamento de recursos humanos da empresa, à chefia ou a alguém superior hierarquicamente. “Se isso não for possível, o funcionário pode procurar diretamente entidades capazes de ajudá-lo, tais como o sindicato ou a associação da categoria e o Ministério Público do Trabalho, por exemplo”.

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