
‘Não podemos entrar em uma guerra mundial e com armas nucleares’, diz ex-secretário geral da Otan
O espanhol Javier Solana foi secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) quando a aliança ocidental e militar ampliou o total de seus membros com a entrada de países do Leste Europeu, apesar da oposição da Rússia.
Ele ocupou o posto entre 1995 e 1999 e foi no último ano da sua gestão que ocorreram os bombardeios da Otan contra a então Iugoslávia (hoje Sérvia e Montenegro).
Aquele país era liderado por Slobodan Milosevic, com milhares de refugiados por perseguições étnicas. A ação da Otan, realizada quando Madeleine Albright, que faleceu nesta semana, era secretária de Estado dos Estados Unidos, foi realizada sem o mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A Rússia apoiava a então Iugoslávia.
Anos mais tarde em visita a Kosovo, já como representante da União Europeia, Javier Solana foi criticado por apoiadores de Milosevic. “Foi aberta uma nova história na República Federal de Iugoslávia”, disse à época diante das críticas, segundo a imprensa espanhola.
Solana disse que nada justifica os ataques de Vladimir Putin à Ucrânia.
Ele afirma que os líderes ocidentais devem fazer de tudo para que seja evitada uma guerra com a Rússia, que é uma potência nuclear, mas também disse que a aliança ocidental prevê, no artigo quinto do Tratado de 1949, que constituiu a Otan, o principio de autodefesa.
Ou seja, que qualquer ataque a um país membro será respondido, de forma coletiva, por meios militares. “Nada justifica que a Rússia ataque a Ucrânia com canhões e se a Otan é atingida deve reagir”, diz o ex-secretário da Otan.
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