01/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Grupo Samel devolve Curral da Cidade Garantido e adianta 5 anos de patrocínio para o bumbá pagar dívidas trabalhistas

Publicado em 23 de março, 2022

Além de devolver o Curral da Cidade Garantido, o Grupo Samel entra como patrocinador oficial do Festival Folclórico de Parintins. Foto: Divulgação

Nesta quarta-feira (23), a gestão Antônio Andrade e Ida Silva fez história em Parintins. Presidente eleito em meio à perda do Curral da Cidade Garantido em 2020, Andrade prometeu em campanha lutar pela recuperação do patrimônio. O desfecho da promessa teve fim hoje, com a devolução do espaço de ensaios do Garantido por parte do Grupo Samel, que à época arrematou em leilão o patrimônio do bumbá.

“Estamos devolvendo com muito orgulho algo que é indissociável da história do Garantido, que é parte da Cidade Garantido, ou seja, nosso complexo onde funciona a nossa fábrica de sonhos”, destacou o presidente Antônio Andrade. O gestor fez questão de destacar a atuação do Grupo Samel. “O Grupo Samel teve uma sensibilidade única. Todos sabemos que eles entraram no leilão para adquirir o patrimônio, protegê-lo e finalmente devolvê-lo ao seu verdadeiro dono, que é a nação vermelha e branca da Baixa de São José. Muito obrigado Beto Nicolau e a todo o Grupo Samel”.

“Conseguimos hoje materializar uma promessa que fizemos na época do leilão em que adquirimos o curral”, disse o presidente do Grupo Samel, Luis Alberto Nicolau, durante a cerimônia. “Quando eu soube que existiam pessoas que queriam comprar para dar um outro fim econômico que não era a vocação desse lugar, fiquei indignado e resolvi entrar no pregão”, relembrou.

Para o empresário e fã da cultura parintinense do boi-bumbá, espaços como a Cidade Garantido devem ser protegidos por lei. “Isso aqui precisa ser tombado como patrimônio de Parintins, como patrimônio do Amazonas, como patrimônio do Brasil e do mundo”, sentenciou.

Patrocínio

Além de devolver o curral,o Grupo Samel entra como patrocinador oficial do Festival Folclórico de Parintins. “O Grupo Samel adiantou cinco anos de patrocínio para o Garantido pagar suas dívidas trabalhistas. Isso por si só já é um ganho”, declarou Antônio Andrade. Para a vice-presidente, Ida Silva, além da volta do patrimônio, a Samel devolve algo ainda mais importante. “Eles estão recuperando a autoestima do torcedor encarnado que estava baixa depois de termos perdido por inoperância e incompetência de quem estava à frente do Garantido um patrimônio de valor inestimável. Só temos a agradecer”, avaliou.

Com os recursos de patrocínio da Samel, o presidente do Garantido está pagando credores com processos na justiça. De acordo com ele, a próxima fase é de credores que não entraram na justiça, mas têm declaração de débito. Após esses, a intenção de Antônio Andrade é pagar credores que não têm advogado, não procuraram a justiça, mas que todos sabem que é público o débito do Garantido. “Vamos lutar para pagar todo mundo. Só precisamos que todos entendam que isso terá que ser fruto de negociações com o boi”, finalizou Andrade.

Foto: Divulgação

Entenda

A Cidade Garantido é um complexo de grandes estruturas onde um dia funcionou a antiga Fabril Juta, fábrica de sacarias à base da fibra de juta. Com a debacle da juticultura, a fábrica faliu e se tornou uma estrutura abandonada. Nos anos 1990, o Garantido ganhou autorização de seus proprietários para ocupar o espaço e então construir suas alegorias.

Com a conquista da capital Manaus, pela cultura do boi-bumbá, uma articulação entre o Movimento Amigos do Garantido (MAG), o presidente do Garantido à época José Walmir e o então empresário Zezinho Faria, presidente de honra do Garantido, ocorreu a compra do primeiro dos três complexos que formam hoje a Cidade Garantido.

Em 2020, por não pagamento de parcela, perda de prazo e julgamento a revelia (quando a parte intimada não apresenta defesa ou não comparece ao julgamento), o grande galpão de alegorias e complexo administrativo foram levados a leilão pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11 Região (TRT11) no dia 24 de julho de 2020. O valor inicial para arremate era de R$1,3 milhão.

Com a inércia instalado na gestão à frente do Garantido em 2020, restou ao presidente do Movimento Amigos do Garantido (MAG), Rogério Ozores, tomar uma atitude. Rogério, que é sócio do Grupo Samel, declarou à epoca:
“A atual diretoria perdeu todos os prazos na justiça e quando Beto Nicolau (presidente do grupo Samel) e eu percebemos que um empresário que possui rixa com o Garantido ia entrar no leilão para arrematar o galpão, não podíamos deixar isso acontecer”, detalhou.

Durante a cerimônia, o presidente do MAG estava visivelmente emocionado. “Lutei um ano e meio contra a Covid-19 e hoje estou nessa cadeira de rodas, mas o mais importante é que eu queria estar aqui, na Cidade Garantido, patrimônio do meu boi”, declarou Rogério Ozores.

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