03/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Rússia usa mísseis hipersônicos na Ucrânia e Zelensky exige diálogo

Publicado em 19 de março, 2022

Rússia usa mísseis hipersônicos na Ucrânia e Zelensky exige diálogo

A Rússia intensificou, neste sábado (19), sua ofensiva na Ucrânia, anunciando o uso, pela primeira vez, de mísseis hipersônicos, enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou que era hora de Moscou aceitar em “conversar” seriamente sobre a paz.

O ministério da Defesa russo garantiu que no dia anterior havia usado mísseis hipersônicos “Kinjal” para destruir um depósito de armas subterrâneo no oeste da Ucrânia, algo sem precedentes, segundo a agência estatal Ria Novosti. Esse tipo de míssil desafia todos os sistemas de defesa antiaérea, segundo Moscou.

A Rússia nunca havia informado sobre o uso deste míssil balístico em nenhum dos dois conflitos em que participa – Ucrânia e Síria.

O presidente Zelensky, por sua vez, considerou que “as negociações sobre paz e segurança na Ucrânia são a única oportunidade que a Rússia tem de minimizar os danos causados por seus próprios erros”.

Justiça

“É hora de nos encontrarmos. É hora de conversar. É hora de restaurar a integridade territorial e a justiça para a Ucrânia”, reiterou o chefe de Estado em um vídeo filmado à noite em uma rua deserta de Kiev e postado no Facebook.

“Caso contrário, as perdas para a Rússia serão tais que levará várias gerações para se recuperar”.

Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro, Kiev e Moscou realizaram várias rodadas de negociações, pessoalmente e por videoconferência. A quarta começou na segunda-feira.

O chefe da delegação russa falou, na noite de sexta-feira, sobre uma “conciliação” de posições sobre a questão de um status neutro para a Ucrânia – semelhante ao da Suécia e da Áustria – e avanços na desmilitarização do país. No entanto, ele também disse que há “nuances” para discutir sobre as “garantias de segurança” exigidas pela Ucrânia.

Mas um membro da delegação ucraniana, o conselheiro presidencial Mikhailo Podoliak, alertou que as “declarações do lado russo são apenas o começo de suas exigências”.

“Nossa posição não mudou: cessar-fogo, retirada das tropas (russas) e fortes garantias de segurança com fórmulas concretas”, tuitou.

Acesso ao mar

No terreno, o ministério da Defesa russo afirmou que destruiu centros de rádio e inteligência perto de Odessa, em Velikodolinske e Veliki Dalnik.

A Ucrânia, por sua vez, admitiu neste sábado que perdeu “temporariamente” o acesso ao Mar de Azov, apesar de a Rússia controlar de fato toda a costa desde o início de março e o cerco da cidade portuária estratégica de Mariupol.

Além disso, o Exército russo afirmou na sexta que conseguiu entrar e lutar no centro da cidade ao lado de tropas da “república” separatista de Donetsk.

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