19/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

AM atua para facilitar acesso de comunitários rurais a soros contra envenenamento por animais peçonhentos

Publicado em 16 de fevereiro, 2022

Projeto contempla os municípios de Careiro da Várzea e Ipixuna.

O Governo do Amazonas atua para descentralizar o soro antiveneno, usado no tratamento de acidentes por animais peçonhentos, mais especificamente os ofídicos (surucucu, jararaca e coral-verdadeira). O projeto é destinado às áreas rurais de Careiro da Várzea (distante 25 quilômetros de Manaus) e Ipixuna (a 1.367 quilômetros da capital).

A iniciativa conta a parceria do Instituto Butantan, que destinou 800 ampolas dos soros à ação integrada composta por Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), Fundação de Medicina Tropical – Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), coordenado pelo Ministério da Saúde, as ampolas de soro antiveneno são repassadas ao Amazonas, por meio da FVS-RCP, que as distribui para os 62 municípios do estado, conforme a necessidade de cada município e com base no quantitativo de ampolas enviadas pelo Ministério da Saúde.

“Solicitamos que a população se mantenha longe das áreas de risco para acidentes com animais peçonhentos, mas, se houver algum incidente, o município estará preparado para oferecer o suporte necessário”, afirma Anoar Samad, secretário de Estado de Saúde.

A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca que a estratégia busca a distribuição dos soros antiveneno a sete unidades de saúde rurais, sendo cinco em Careiro da Várzea e duas em Ipixuna. “Busca-se a redução de tempo de atendimento ao agredido por peçonhentos, que muitas vezes precisa se deslocar por horas em barcos para obter tratamento”, afirma Tatyana.

Para o uso no projeto, a articulação foi realizada pela FMT-HVD, que é referência estadual para o tratamento de agredidos por animais peçonhentos, junto ao Instituto Butantan, que produz as ampolas de soro antiveneno. Equipes de médicos e enfermeiros de Careiro da Várzea e Ipixuna foram capacitados pela FMT-HVD para diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos no segundo semestre de 2021.

Segundo o diretor de Ensino e Pesquisa da FMT-HVD, Wuelton Marcelo Monteiro, Careiro da Várzea e Ipixuna foram escolhidos para o projeto-piloto.

“Não é possível, hoje, fazer a descentralização dos soros para a Amazônia inteira. A partir dos resultados encontrados nesses dois municípios, vamos propor para o Ministério da Saúde a melhor forma de se realizar essa descentralização para reduzir as chances de sequelas e de óbitos”, destaca Wuelton.

Próximos passos

O gerente de Zoonoses em exercício da FVS-RCP, o médico veterinário Deugles Cardoso, destaca que o próximo passo para efetivar o projeto é a análise da estrutura e dos recursos humanos (equipes de saúde) das unidades básicas de saúde rurais. “As unidades devem contar com equipe adequada e rede de frio para armazenamento dos soros 24 horas”, detalha o veterinário.

Distribuição

A distribuição de soros antivenenos ocorre pela FVS-RCP para os 62 municípios do Amazonas, abrangendo 63 hospitais em área urbana; três em área rural; três em área restrita: Coari e Presidente Figueiredo (comunidades de Pitinga e de Balbina); dois em área indígena; e nove em pelotões especiais de fronteira do Exército Brasileiro, sendo três deles indígenas.

Descentralização

Em projeto paralelo, a descentralização de distribuição de soros antiveneno está sendo projetada para 14 polos-base dos sete Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEIs).

Essa estratégia, específica para os DSEIs, é uma ação conjunta entre FVS-RCP; FMT-HVD; Ministério da Saúde, por meio da Coordenação Geral de Doenças Transmissíveis; Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai); e a SES-AM, por meio do Departamento de Atenção Básica.

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