
O livro “O Outro Entre Nós” contém os textos das peças “A Estrada”, “Flecha Borboleta” e “Casa d’Água”, esta ainda inédita nos palcos. Foto: Divulgação
O diretor teatral Douglas Rodrigues compilou os textos de suas obras encenadas no Amazonas, Brasil e Portugal, e lançará na próxima quarta-feira (27), às 19h, a obra “O Outro Entre Nós”. O livro contém os textos das peças “A Estrada”, “Flecha Borboleta” e “Casa d’Água”, esta ainda inédita nos palcos. O artista fará uma noite de autógrafos na Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja Evangelista, localizada na rua Monsenhor Coutinho, Centro, com entrada gratuita.
Durante o evento, serão realizadas performances da Associação Cultural Arte e Fato, com artistas que participaram das obras encenadas por Douglas Rodrigues e também um pocket-show da cantora Márcia Siqueira. Quem quiser adquirir o livro, basta entrar em contato pelo WhatsApp (92) 99331-7090.
A publicação da trilogia “O Outro Entre Nós”, com apresentações de Robério Braga, Sérgio Cardoso e Zeudi Souza, define a relação do artista Douglas Rodrigues na busca incessante da cena contemporânea para suas obras, estimulando construções participativas, colaborativas e artesanais, durante o processo criativo dos próprios espetáculos.
Duas peças dessa trilogia foram várias vezes premiadas, “A Estrada” e “Flecha Borboleta”, com temporadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Portugal. A inédita “Casa D’Água” tem convite para virar roteiro de cinema, e já está registrada na Biblioteca Nacional.
Os processos criativos de Douglas Rodrigues utilizando fatos históricos da Amazônia comos fios condutores de uma escrita contemporânea o levam a esse lugar de escritor para o teatro. “Esse é o momento de dialogar experiências minhas como encenador fazendo com que esse diálogo como diretor, ator e dramaturgo se concretize de forma tênue, como exercício inevitável para o artista pesquisador, amparando histórias e novas dramaturgias, em busca de uma linguagem pessoal, com o experimento estético que difunde as transformações do homem amazônida, entre as décadas de 50 e 70, de acordo com estudos etnológicos e etnográficos, iniciados na Universidade Federal do Amazonas enquanto acadêmico de Filosofia, anos atrás”, diz Rodrigues.

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Escrita em 2014, a obra “A Estrada” é uma tragédia baseada em relatos reais de sobreviventes do massacre na aldeia Waimiri Atroari durante a construção da BR-174, que liga Manaus à Boa Vista, durante o regime militar no brasil. Já o épico da floresta “Flecha Borboleta”, escrita em 2017, é inspirado na Ópera “Madama Buterfly”, de Puccini, e narra perigosas consequências do amor entre uma índia arqueira e um expedicionário americano, dialogando com o Massacre de Haximu, julgado pela justiça brasileira, no qual os réus foram condenados por genocídio. Baseado em invasões científicas nas aldeias Yanomami, no Norte do Amazonas.
E o drama inédito “Casa D’Água” foi escrito para o cinema e conta a história de uma casa, que flutua na enchente histórica do rio Amazonas em 1954, com uma filha, mãe e um homem encurralados pelas paredes frias e molhadas, com relatos e depoimentos de mulheres violentadas, alicerçando a construção do roteiro cinematográfico.
Temas como progresso, barbárie, batalhas entre índios e invasores, violência, alteridade, choques culturais, abusos sexuais e identidade étnica são abordados na trilogia, distanciando o folclore ingênuo do olhar romântico europeu.
O projeto conta com o apoio da Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), com o Concurso-Prêmio Manaus de Conexões Culturais – Lei Aldir Blanc – Teatro e da Editora Amazônia Et Al.
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