27/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

‘Nevermind’: 30 anos depois, álbum ainda é um marco além do rock

Publicado em 24 de setembro, 2021

‘Nevermind’: 30 anos depois, álbum ainda é um marco além do rock

O que “Nevermind” tinha – e ainda tem – de especial? No dia em que o segundo álbum do Nirvana completa 30 anos, se pensa no seu legado, se lembra a criação do disco e detalha a história do hino grunge “Smells like teen spirit”.

“Crescemos com Biggie e Nirvana“, canta Halsey na música que a projetou, “New americana” (2015). A cantora pop nascida nos anos 90 não está sozinha. Das camisas de Travis Scott à tatuagem de Kid Cudi, Kurt Cobain figura como referência de arte inconformista para jovens que dispensam guitarras.

“Nevermind” ainda guia artistas que, assim como Kurt, amam música pop e odeiam suas regras. Longe de imitadores, o legado foi parar no sample de “In bloom” em “Panini”, de Lil Nas X, e na referência nominal em “Cobain”, do falecido Lil Peep.

Nevermind

Acima até dos “Lil”s do rap, há mulheres de estilos diversos. Não foi por acaso que os ex-músicos do Nirvana colocaram St. Vincent, Lorde e Joan Jett para cantar no lugar de Kurt Cobain no Hall da Fama do Rock. O cantor desprezava a misoginia e dizia que o futuro do rock era feminino.

É uma mulher que o baterista Dave Grohl aponta como principal herdeira do espírito de Kurt Cobain hoje: Billie Eilish. A cantora faz uma nova tradução musical da inadequação adolescente que ele vê na geração de sua filha, Violet.

“Acho que é por isso que a Billie Eilish [cantora que Dave conheceu através de Violet e já elogiou várias vezes] se tornou tão popular. Porque há milhões de jovens que se sentem do mesmo jeito que ela. Eu vejo o futuro da música na minha filha e nas amigas dela”, disse Dave.

“Minhas filhas estão obcecadas com Billie Eilish. Sua conexão com o público é a mesma que o Nirvana tinha em 1991”, contou o baterista à agência AFP.

Nirvana

De Billie Eilish a Lil Nas X, de Travis Scott a St. Vincent, a marca do Nirvana está em artistas meio desajustados que querem provar seu talento, não ir atrás só de dinheiro.

(Ou seja, figuras bem diferentes dos oportunistas que estão aí há trinta anos, de aberrações do “post-grunge” como o Creed ao bebê que nadou atrás de US$ 1 na capa do disco e hoje nada atrás de milhões em um processo picareta contra suposta ‘exploração sexual’).

Mas o que ‘Nevermind’ tinha de especial para servir de referência, 30 anos depois, a esses jovens talentosos, que renovam a indústria musical ao se opor a ela? O álbum nunca foi só música. E ainda hoje é muito mais do que isso. Lançado em 24 de setembro de 1991, o segundo disco do Nirvana representava a invasão do cenário pop pelo rock alternativo.

O perdedor angustiado e sensível substituiu o rockstar cheio de marra. A voz contraditória de Kurt Cobain revelava um cara que, ao mesmo tempo, desejava o sucesso e desprezava a fama.

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