09/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Jogadores da seleção argentina deixam o Brasil após prestarem depoimento; veja nota da Anvisa

Publicado em 06 de setembro, 2021

Jogadores da seleção argentina deixam o Brasil após prestarem depoimento; veja nota da Anvisa

Os jogadores da seleção argentina deixaram o Brasil após prestarem depoimento para a Polícia Federal (PF) na noite deste domingo (5). A seleção argentina postou em suas redes sociais uma foto dos atletas dentro do avião.

A delegação argentina foi notificada para deixar o país pela PF após quatro jogadores do elenco terem entrado no Brasil sem cumprirem a quarentena obrigatória de 14 dias para estrangeiros que tiveram passagem pelo Reino Unido, como medida de prevenção durante a pandemia do novo coronavírus. Emiliano Martinez, Emiliano Buendia, Giovani Lo Celso e Cristian Romero jogam em equipes do Campeonato inglês.

Jogadores

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou em nota que se reuniu com representantes da equipe argentina e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no sábado para orientar que os atletas ficassem em quarentena no hotel em que estavam concentrados. Mesmo Assim, todos foram para a Arena Corinthians, em São Paulo, disputar a partida, sendo que três deles começaram como titulares.

Com a bola já rolando, membros da Anvisa, acompanhados de agentes da Polícia Federal, entraram em campo para informar a proibição, o que motivou a suspensão da partida pelo árbitro.

O diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, afirmou que a permanência de quatro jogadores argentinos no Brasil representava um descumprimento das regras sanitárias do Brasil e eles corriam o risco de serem deportados.

Leia a íntegra da nota da Anvisa

Desde a tarde deste sábado (4/9), a Anvisa, em reunião ocorrida com a participação de representantes da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da delegação argentina, recomendou a quarentena de quatro jogadores argentinos, ante a confirmação de que os jogadores prestaram informações falsas e descumpriram, inequivocamente, a Portaria Interministerial 655, de 2021, a qual estabelece que viajantes estrangeiros que tenham passagem, nos últimos 14 dias, pelo Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte e Índia estão impedidos de ingressar no Brasil.    

Na manhã deste domingo (5/9), a Agência acionou a Polícia Federal a fim de que as providências no âmbito da autoridade policial fossem adotadas de imediato. 

No exercício de sua missão legal, a Anvisa perseguiu, desde o primeiro momento, o cumprimento à legislação brasileira, que, nesse caso, se restringia à segregação dos quatro jogadores envolvidos e à adoção das medidas sanitárias correspondentes.  

Desde o instante em que tomou conhecimento da situação irregular dos jogadores, no mesmo dia da chegada da delegação, a Agência comunicou o fato às autoridades brasileiras de saúde, por meio do Cievs, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde. 

Por força dessa comunicação, ainda na tarde de sábado (4/9) ocorreu a reunião já referida envolvendo o Ministério da Saúde, a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, representantes da Conmebol, da CBF e da delegação argentina. Durante essa reunião, a Anvisa, em conjunto com a autoridade de saúde local, determinou a quarentena dos jogadores.    

Cabe esclarecer que os jogadores entraram no Brasil às 8h de sexta-feira (3/9), prestando informações falsas. Neste mesmo dia, a Anvisa identificou que as informações eram falsas e, ainda na noite de 3/9, notificou o Cievs, atualizando as autoridades de saúde (Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde de São Paulo).  

Neste sábado (4/9), às 17h, foi realizada uma reunião com as instituições envolvidas, na qual a Agência e a autoridade de saúde de São Paulo informaram a contingência de quarentena. No entanto, mesmo depois da reunião e da comunicação das autoridades, os jogadores participaram de treinamento na noite do sábado. 

Na manhã deste domingo (5/9), a Anvisa notificou a Polícia Federal e, até a hora do início do jogo, esforçou-se, com apoio policial, para fazer cumprir a medida de quarentena imposta aos jogadores, sua segregação imediata e sua condução ao recinto aeroportuário. As tentativas foram frustradas, desde a saída da delegação do hotel, e mesmo em tempo considerável antes do início do jogo, quando a Agência teve sua atuação protelada já nas instalações da arena de Itaquera.  

A ação da Anvisa, em síntese, restringiu-se a buscar o cumprimento das leis brasileiras, o que se limitaria à segregação dos jogadores e às suas respectivas autuações. 

A decisão de interromper o jogo nunca esteve, nesse caso, na alçada de atuação da Agência. Contudo, a escalação de jogadores que descumpriram as leis brasileiras e as normas sanitárias do país, e que ainda prestaram informações falsas às autoridades, isso sim exigiu a atuação da Agência de Estado a tempo e a modo, ou seja, de maneira tempestiva e efetiva. 

Notificação dos jogadores

Houve tentativa de notificação aos jogadores, que se recusaram a assinar a notificação entregue pelas autoridades presentes no estádio para retorno imediato ao seu país de origem, com base na Portaria Interministerial 655/2021 e no art. 11 da Lei 6.437/1977. Os termos foram entregues à Polícia Federal para as providências cabíveis.

Infração sanitária

O enquadramento das irregularidades de omissão de dados no preenchimento da Declaração de Saúde do Viajante (DSV) e o descumprimento da quarentena sujeitam ao Auto de Infração Sanitária (AIS) individual cada atleta que descumpriu a legislação: Portaria 655/2021, RDC 21/2008 e RDC 456/2021.

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