09/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Servidor terceirizado do TJ preso em operação ostentava vida de luxo nas redes sociais

Publicado em 03 de setembro, 2021

Servidor terceirizado do TJ preso em operação ostentava vida de luxo nas redes sociais

O servidor terceirizado do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) Erleson Lima, de 28 anos, preso durante a Operação Nababo, deflagrada nessa quinta-feira (2), pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), ostentava uma vida de luxo nas redes sociais. Ele é suspeito de comandar uma quadrilha que desviou cerca de R$ 1 milhão do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) suspeita de operar transações com emissões de alvarás judiciários fraudulentos.

Segundo investigação do MPAM, a quadrilha emitia alvarás para saques de valores constantes de contas vinculadas a processos judiciais arquivados. Erleson e outras nove pessoas foram detidas. Além disso a operação cumpriu mandados de busca e apreensão.

Os suspeitos responderão pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As investigações seguem na capital amazonense, Maués e Parintins.

Elerson levava uma vida de luxo e fazia questão de ostentar nas redes sociais com fotos de viagens, festas e passeios luxuosos. Em seu Instagram é possível ver que ele viajou para vários lugares do Brasil como Maragogi, em Alagoas, Porto de Galinhas (PE) e São Paulo, em menos de um ano.

Operação

Durante a apuração dos fatos constatou-se a existência de indícios veementes de movimentações processuais injustificadas, consistente na inclusão de nomes de pessoas, ora também investigadas, como partes/advogados, apesar de, na verdade, não possuírem relação com os processos, sendo pessoas próximas, do convívio do principal suspeito, ou seus familiares.

Após a inclusão indevida de tais pessoas como partes ou advogado(a), ocorria a emissão de alvarás, exclusão dos nomes estranhos inseridos nos autos e, ainda, apagamento das movimentações processuais irregulares respectivas, além de colocação de sigilo sobre sobre estes atos, para dificultar o conhecimento do desvio e de seus rastros.

Analisando as movimentações suspeitas, foi possível rastrear o uso constante de determinado perfil de usuário e senha de uso pessoal presente na imensa maioria das movimentações, apontando servidor terceirizado do Tribunal de Justiça do Amazonas como principal suspeito de operar o esquema, possivelmente também fazendo uso, sem autorização, de outro perfil e senha de usuário para concluir parte dos desvios. Levantamentos preliminares dão conta de que houve a emissão de alvarás indevidos em pelo menos 6 comarcas, com possíveis prejuízos acima de R$ 1,2 milhão, valor este ainda em apuração e a ser confirmado.

Redes sociais

O nome da operação decorre da exposição, em redes sociais, de elevado padrão de vida e ostentação por parte do principal suspeito, incompatível com sua remuneração no Tribunal de Justiça, que não justificaria o estilo nababesco exposto publicamente.

A apuração dos fatos ocorreu com assídua colaboração e participação da Corregedoria do Tribunal de Justiça que, tão logo teve conhecimento dos fatos, comunicou ao Ministério Público e compartilhou provas, além de ter possibilitado a célere investigação dos fatos, que ainda segue.

A Decisão que deu origem à Operação foi proferida pelo Plantão Criminal da Comarca de Itacoatiara.

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