15/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Aposentadoria: desembargador Ari Moutinho participa de última sessão como membro do Tribunal de Justiça

Publicado em 24 de agosto, 2021

No próximo domingo (29), o magistrado completará 75 anos, e alcançará a aposentadoria compulsória por idade. Foto: Divulgação/Raphael Alves

Durante a sessão solene realizada nesta terça-feira (24) para a instalação do Museu do Judiciário, que faz parte das comemorações dos 130 anos de instalação do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), o desembargador Ari Jorge Moutinho da Costa participou de sua última sessão como membro do Pleno da corte. No próximo domingo (29), o magistrado completará 75 anos, e alcançará a aposentadoria compulsória por idade.

“Nesta hora meu coração canta vitória, após 46 anos, 1 mês e 27 dias, termina minha missão de julgar”, declarou Moutinho, lembrando que o plenário do Palácio da Justiça Clóvis Bevilácqua – antiga sede do TJAM e onde ocorreu a sessão desta terça-feira – lhe trouxe recordações, como a de uma visita ao local, em 1956, quando seu pai o levou ao prédio histórico pela primeira vez. Já adulto, passou no concurso para a magistratura amazonense, assumindo, em 1976, a judicatura em Boca do Acre, interior do Estado.

O magistrado disse ver a magistratura como um verdadeiro sacerdócio. Em 2004, já no cargo de desembargador, disse assumir com honra, retidão e respeito, com plena consciência de exercê-lo sem receio e, ainda, ciente de que juiz não é dono da verdade, mas aquele que busca praticar a verdadeira justiça.

Ari Moutinho ascendeu ao cargo de desembargador em 2004. Foto: Divulgação/Raphael Alves

Moutinho comentou que participa da última sessão do Tribunal Pleno vencendo adversidades na saúde, algumas dificuldades durante sua trajetória, e que optou por continuar a trabalhar, mesmo tendo possibilidade de aposentar-se antes. Em seu discurso, citou diversos momentos de sua vida profissional, os desafios ao exercer importantes funções no Judiciário e o aprendizado. Ao final de seu pronunciamento, falou do sentimento de gratidão, em especial à esposa, aos filhos e outros familiares; amigos; magistrados (as) e servidores (as), dentre os quais aqueles que estiveram ao seu lado por quase 17 anos.

Homenagem

O decano da Corte, desembargador João Simões, fez sua homenagem a Ari Moutinho, desejando-lhe felicidades e saúde na trajetória que começa agora. “Neste mês Vossa Excelência conquistará a sua aposentadoria, após uma larga, importante e honrada jornada, que deixa para todos nós um grande trabalho de honradez a ser seguido por toda a magistratura”, disse.

No encerramento da sessão, o presidente do TJAM, Domingos Chalub, cumprimentou Ari pela aposentadoria e pelos relevantes serviços prestados. “Vossa Excelência vai agora enfrentar novos desafios da vida, mas com a consciência do dever cumprido, tendo desempenhado muito bem a função de magistrado”, afirmou o presidente.

Foto: Divulgação/Raphael Alves

Trajetória

Ari Jorge Moutinho da Costa nasceu no município de Benjamin Constant (distante 1.116 quilômetros de Manaus) e em 1967 ingressou no curso de Direito na Universidade Federal do Amazonas. Em 1976 foi aprovado no concurso de provas e títulos, iniciando sua trajetória na magistratura.

Atuou como juiz em várias comarcas do interior, como juiz corregedor auxiliar; foi presidente do 1º Tribunal do Júri da Comarca de Manaus; titular da Vara de Execuções Criminais à época; membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana; presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Amazonas; membro efetivo da Comissão de Estudos da Revisão Constitucional, designado pela Associação dos Magistrados Brasileiros, e juiz auxiliar da Vice-Presidência.

Em 2004, ascendeu ao cargo de desembargador, quando passou a atuar também em funções, como diretor dos fóruns de Manaus; foi presidente da Comissão de Informatização do TJAM; vice-presidente e corregedor do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE/AM); presidente do Colégio Nacional dos Corregedores Eleitorais; presidente do TRE/AM; presidente da Terceira Câmara Cível do TJAM; membro do Conselho da Magistratura.

Foi presidente do TJAM no biênio de 2012 a 2014, e no período assumiu por diversas vezes a chefia do Executivo estadual, em caráter interino, quando os outros nomes da linha sucessória estavam impedidos de exercer o cargo. Também exerceu a função de diretor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas (Esmam), de 2016 a 2018 e, atualmente, é membro da 2ª Câmara Cível do TJAM. Moutinho é sócio-fundador da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas, ocupando a cadeira nº 08.

Foto: Divulgação/Raphael Alves

Gestão Moutinho

Entre as ações tomadas durante sua gestão na presidência do TJAM, destaca-se o avanço na virtualização do sistema judicial, levando a comarca de Envira, em janeiro de 2013, a ser a primeira do país a ter o acervo completamente virtualizado, utilizando o Sistema Projudi.

Construiu o prédio anexo à sede do TJAM, denominado de Centro Administrativo Desembargador José de Jesus Ferreira Lopes, onde hoje funcionam vários setores administrativos, a Esmam e o principal auditório do Poder Judiciário amazonense. Durante sua gestão também foram construídos Fóruns de Justiça em Maués e Tefé, oferecendo novas instalações para servidores (as), juízes (as) e jurisdicionados (as), além de terem sido reformados outros fóruns.

Foi na sua gestão a aprovação do aumento do número de desembargadores de 19 para 26 magistrados, proposto devido ao aumento populacional e da demanda de processos no 2º Grau.

E foi em 2013 que sua gestão realizou novo concurso público para o órgão (o anterior tinha ocorrido em 2005), para os cargos de nível fundamental, médio e superior de servidores e serventuários, sob responsabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que recebeu 74.956 inscrições para as 300 vagas ofertadas, objetivando substituir contratados.

No mesmo ano, também sob organização da FGV, foi lançado o concurso com 31 vagas para o cargo de juiz de direito substituto, para suprir necessidades de comarcas do interior. Durante a Copa de 2014, em junho, o TJAM criou o Juizado do Torcedor e manteve um Posto Avançado do Juizado Especial Cível, da Justiça Itinerante e do Juizado da Infância e da Juventude no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, para atender possíveis demandas, sendo a mais frequente para a expedição de autorizações de viagens para crianças e adolescentes.

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.