03/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Microhmímetro, inimigo de fios e cabos elétricos fraudulentos, acusa empresa da Zona Franca. Veja vídeo

Publicado em 20 de agosto, 2021

Microhmímetro

Microhmímetro é observado por Márcio André (paletó), em ação no laboratório do Ipem-AM. Foto: Alexandre Vieira/ Ipem-AM/ Divulgação

O Instituto de Pesos e Medidas do Amazonas (Ipem-AM) revelou ontem (19/08) a fraude que pode explicar incêndios espalhados por Manaus. Trata-se da fabricação de cabos e fios elétricos de baixa tensão com ferro no lugar do tradicional cobre. “A gente fiscalizava o selo do Inmetro e não conseguia saber o que tinha por baixo da capa de plástico. Agora, com a aquisição do microhmímetro, é possível ver o que está lá dentro”, diz Márcio André Brito, presidente do Ipem-AM. Entre as marcas fraudulentas está uma fabricada na Zona Franca de Manaus (ZFM), a Total Flex.

O equipamento só está disponível ainda em seis Estados brasileiros. “Em todos os locais onde houve fiscalização com uso do microhmímetro foram constatadas fraudes”, diz Márcio André. Ele acrescenta que isso inclui, por exemplo, São Paulo e Espírito Santo. Presidente da Associação Nacional dos Órgãos Delegados do Inmetro (Anodi), desde 11 de março deste ano, Márcio já está recomendando que todos os órgãos estaduais de metrologia comprem o microhmímetro.

As marcas aprovadas no exame com o novo equipamento são Top Cables, Amazoncabos, Flexcabos e Nortcabos. As reprovadas são Luzzano, Tekfio e a incentivada pela ZFM Totalflex. Ainda não houve manifestação dos órgãos de controle, como os ministérios públicos do Amazonas (MPAM) e Federal (MPF) sobre o uso de incentivos para fraudar o consumidor.

O Ipem-AM é o órgão amazonense delegado do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Durante uma semana, os fiscais do órgão recolheram no comércio as marcas de fios e cabos disponíveis. Depois, no laboratório, com a ajuda do microhmímetro, a fraude foi descoberta, em 40% das marcas comercializadas na capital amazonense.

 

Incêndios

A parte elétrica representa de 3,5% a 4% do custo de um empreendimento. A informação é do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM), Frank do Carmo Souza. “A questão não é apenas o custo, mas as consequências de se usar uma marca com ferro. A principal delas é o superaquecimento e até incêndios”, diz o presidente do Ipem-AM.

“Todas as empresas que tenham comprado marcas consideradas fraudulentas, para formar estoque, podem exigir a troca. E o consumidor final terá maior cuidado na hora da compra, levando em conta não apenas o preço. É claro que quem produz com matéria-prima de mais baixa qualidade, no caso o ferro no lugar do cobre, gasta menos e pode cobrar mais barato”, diz Márcio.

Veja, abaixo, o vídeo institucional com o resultado da fiscalização do Inmetro nos fios e cabos elétricos comercializados em Manaus.

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