08/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Cantor Ney Matogrosso completa 80 anos

Publicado em 01 de agosto, 2021

O cantor Ney Matogrosso já gravou 33 discos ao longo de sua carreira solo. Foto: Divulgação

Era o ano de 1973 quando os versos de “Sangue Latino” (de João Ricardo e Paulinho Mendonça) saíam de uma forma especial da voz de um jovem cantor, de aparência andrógina, vindo de Bela Vista (MS) e que faria história a partir daquele primeiro disco do grupo Secos & Molhados (que incluiu, entre as músicas, “Rosa de Hiroshima”, e vendeu mais de um milhão de cópias).

No ano seguinte, Ney de Souza Pereira, que adotou o apelido Ney Matogrosso, faria mais um LP com a banda, e depois partiria para a carreira solo. Mais 33 discos e uma das histórias mais marcantes da música brasileira.

Neste domingo (1º), Ney completa 80 anos. Ele nasceu no Pantanal, quase na fronteira com o Paraguai. Foi soldado da aeronáutica e enfermeiro, em Brasília. Mas foi cantando em um quarteto que descobriu a música. Foi hippie no Rio de Janeiro e só quando chegou a São Paulo soltou a voz e o corpo no grupo Secos & Molhados.

Ney Matogrosso no grupo Secos & Molhados. Foto: Divulgação

No ano de 2014, no programa Sem Censura, Ney Matogrosso ratificou que o seu trabalho de palco mistura o cantor e o ator em toda a carreira para sempre contar uma história. “Eu nunca subi no palco como uma pessoa, mas como uma personagem”, disse.

Confira abaixo o programa

O artista voltou a tratar sobre esse assunto no programa Estação Plural, também da TV Brasil. Para ele, essa personagem é um híbrido masculino, feminino, inseto, ave, felino… “Eu gostaria de ser uma águia, um tigre. No palco eu realizo tudo isso”. O artista lembrou-se, na ocasião, que saiu de casa com 17 anos de idade e foi ser militar da Aeronáutica. Chegou também a ser enfermeiro. Mas o destino dele seria a música.

Confira abaixo no programa Estação Plural

No programa, o crítico Jotabê Medeiros explicou que uma revolução realizada pelo Ney Matogrosso foi comportamental. “Ele demonstrou talento extraordinário com uma trajetória particular. Ele é um cara de cena. Um talento cênico excepcional. Ele seria excepcional em qualquer cultura. Trata-se de um intérprete de leque inacreditável”.

O crítico contextualiza que a obra do artista se renova sempre, tanto que mantém um diálogo muito rico com novas gerações. Ainda no Estação Plural, o diretor de arte Marcus Preto acrescenta que Ney foi sempre capaz de transitar por vários gêneros. “Com uma capacidade cênica que o transformou em um dos “maiores artistas do mundo”.

Ney Matogrosso explicou que seu estilo marcante desde os tempos do Secos e Molhados surgiu a partir de reflexões sobre o espaço de representações. “Por que um bailarino pode ter um gesto mais poético e um cantor não pode? Aí quando eu via que as pessoas ficavam perturbadas, descobri que era o caminho. Não podemos ficar parados em trilhos. Sem questionar nada (…) Não tem lado ruim em ser transgressor”, afirmou.

Nas entrevistas, Ney Matogrosso explica que o ser “híbrido” dos palcos desaparece ao final das performances, e dá lugar a uma pessoa mais tranquila. Para ouvir mais de Ney, em um estilo diferente, ouça interpretação dele em especial para homenagear o cantor Lupicínio Rodrigues.

Agência Brasil

Veja mais notícias em Entretenimento

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.