
Médico x médico, Delano (esquerda) e Sebastião fizeram vídeos polemizando sobre os anticorpos produzidos pelas vacinas.
O médico Delano Santiago Pacheco tomou duas doses da vacina Coronavac e descobriu que estava sem anticorpos. “Fiz a titulação de anticorpos e deu 10%, quando deveria ter dado acima de 20% ou 50%. Não tenho anticorpos contra o coronavírus, mesmo depois de vacinado. Estou exigindo nova vacinação porque estou no grupo de frente do combate ao coronavírus”, disse.
O vídeo viralizou e trouxe mais dúvidas sobre a eficácia das vacinas contra a pandemia de Covid-19. Sebastião Rodrigues da Cunha, médico, ambientalista e criador do canal TV Médica, nas mídias sociais, respondeu. “O colega devia estudar um pouquinho mais. O organismo não precisa de quantidade, mas de qualidade de anticorpos. A revista Nature acaba de publicar pesquisa falando do ‘superanticorpo’, que pode neutralizar o coronavírus. Tire o chapéu para a ciência”, disse.
A pesquisa a que Sebastião Rodrigues se refere, publicada na Nature, mostra um anticorpo que pode enfrentar inúmeras cepas do coronavírus. Seria a base para futuras vacinas de amplo espectro e tratamento mais eficaz contra a praga.
“Tyler Starr, um bioquímico do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, em Seattle, Washington, e seus co-autores começaram a lançar luz sobre um problema enfrentado pelos tratamentos com anticorpos para COVID-19: algumas variantes do SARS-CoV-2 adquiriram mutações que permitem ao vírus escapar das garras dos anticorpos”, diz o texto da Nature, em inglês.
“Um anticorpo, o S2H97, se destacou por sua capacidade de aderir aos domínios de ligação de todos os sarbecovírus que os pesquisadores testaram”, diz a matéria. O S2H97, que os autores apelidaram de anticorpo pan-sarbecovírus, foi capaz de impedir que uma série de variantes do SARS-CoV-2 e outros sarbecovírus se propagassem entre as células em crescimento no laboratório”, acrescenta.
“Esse é o anticorpo mais legal que descrevemos”, diz Tyler Starr.