
Repórter é agredido por ex-prefeito de Humaitá, investigado por compra de testes rápidos. Foto: Divulgação
O repórter Lucas Lobo, correspondente da Rede Amazônica em Humaitá, foi agredido pelo ex-prefeito Herivâneo Seixas, nesta quinta-feira (8), durante o exercício profissional. Lucas registrou boletim de ocorrência na cidade.
O ex-prefeito é investigado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) sobre a contratação, sem processo de licitação, de uma empresa para fornecimento de testes rápido para a detecção de Covid-19. O contrato com suspeitas de superfaturamento foi firmado pela prefeitura de Humaitá em 2020, quando Herivânio Seixas era o então prefeito, eleito pelo PROS.
O ex-prefeito chegou ao local em uma caminhonete, muito agressivo, já xingando, falando palavrões e fazendo ameaças à vida do repórter. O ex-prefeito então agrediu fisicamente o repórter, que teve o microfone arrancado de suas mãos e o celular foi jogado no chão e quebrado. Em vídeo gravado pela reportagem, o político e empresário aparece tomando os equipamentos e levando para seu carro.
Depois da agressão e com a chegada da polícia, o ex-prefeito tentou extorquir o repórter, oferecendo benefícios. O repórter foi até a delegacia do município para registrar a ocorrência.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas – SJP/AM e a Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ emitiram uma nota de repúdio pela agressão sofrida pelo repórter Lucas Lobo. No texto, as entidades ressaltam “às autoridades públicas e à sociedade que o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental do cidadão. Portanto, o livre exercício profissional e a integridade dos jornalistas devem ser respeitados”.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional do estado do Amazonas, também manifestou seu repúdio em decorrência do ataque sofrido pelo repórter da rede Amazônica. Em nota, o órgão disse condenar os atos por violarem o direito da liberdade de imprensa de informar a população, assegurados pela Constituição de 1988.
A investigação refere-se a um contrato firmado em 2020 pela Prefeitura de Humaitá mediante dispensa de licitação.
“Houve uma notícia de que o fornecedor contratado seria uma pessoa jurídica sem capacidade para fornecimento de testes rápidos. Segundo o noticiante, o contratante tem envolvimento com diversos ilícitos em outros municípios do Amazonas, além do fato de o preço pago ser em um valor muito alto para os praticados pelo mercado.Por essa razão, determinou-se a instauração de notícia de fato para a apuração da regularidade da contratação e dos preços pagos pela prefeitura municipal de Humaitá.”, observou o promotor de Justiça Weslei Machado.
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