
Covid-19 diminui a expectativa de vida do brasileiro
O descontrole da pandemia e o excesso de mortes causadas pela covid-19 diminuíram a expectativa de vida do brasileiro em 1,3 ano, em 2020, e vai reduzir em pelo menos 1,8 ano em 2021. As informações constam num artigo publicado, ontem, na revista inglesa Nature, cujo título é Reduction in life expectancy in Brazil after covid-19 (Redução da expectativa de vida no Brasil após covid-19), de autoria dos pesquisadores Marcia C. Castro, Susie Gurzenda, Cassio M. Turra, Sun Kim, Theresa Andrasfay e Noreen Goldman. De acordo com a publicação, “a redução da expectativa de vida aos 65 anos em 2020 era de 0,9 ano, recolocando o Brasil nos níveis de 2012″.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a longevidade no Brasil, em 2019, era de 76,6 anos, três meses a mais do que em 2018. Entre homens, a duração média da vida era de 73,1 anos e, nas mulheres, de 80,1 anos.
O artigo começa apontando os governos de Donald Trump e de Jair Bolsonaro como “lamentáveis” na resposta ao avanço da covid-19, nos Estados Unidos e no Brasil. E lembra que, juntos, respondem por 28% do total de mortos no mundo e 59% do total de óbitos nas Américas.
“Em ambos os países, a resposta à pandemia em 2020 foi díspar regionalmente, com lamentável coordenação nacional, resultando em uma carga de mortalidade elevada e desigual”. Mas, desde a chegada de Joe Biden à Casa Branca, dos dois países apenas o Brasil seguiu na contramão das políticas públicas consagradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) contra o espalhamento do novo coronavírus — como o distanciamento social, o uso de máscaras e a higiene pessoal, em associação à vacinação.
“O Brasil continua enfrentando uma situação desafiadora. Abril de 2021 foi o mês mais letal desde o início da pandemia: nove capitais relataram mais mortes do que nascimentos e, em 25 de abril, o número de mortes de covid-19 em 2021 ultrapassou o relatado em 2020”, lembra o artigo, logo no segundo parágrafo.