12/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Pizzonia conta tudo: de como perdeu vaga na Williams ao contrato milionário que o fuso-horário derrubou

Publicado em 23 de junho, 2021

Pizzonia conta tudo

Pizzonia conta tudo, como o episódio em que Frank Williams comunicou a preferência por Heidfeld. Na foto, Pizzonia com o filho, Reginaldo Pizzonia Neto, fala com Frank, na festa dos 40 anos da Williams, há dois anos: “Ele está com Alzheimer, mas me chamou pelo meu nome”, disse

O amazonense Antônio Pizzonia, 40 anos, abriu o verbo e fez revelações sobre a carreira de piloto que sempre resguardou. Ele foi entrevistado, hoje (23/06), à noite, pelo narrador de automobilismo André Duek, no “Resenha Stock Car”, nas mídias sociais, com participação do lendário piloto Ingo Hoffman. E revelou detalhes do período tenso, de setembro/2004 a janeiro/2005, quando a BMW pressionou a Williams a contratar Nick Heidfeld e tirá-lo do cockpit. Depois, sobre nunca ter disputado as 24 Horas de Le Mans, contou que perdeu um contrato milionário por causa do fuso horário de Manaus.

Pizzonia foi o piloto amazonense que chegou mais longe. Tricampeão brasileiro e campeão sul-americano de kart, a partir de 1997 se tornou vitorioso em diversas categorias. Naquele ano, disputou metade das 20 provas da Skip Barber Dodge, Fórmula América, e ficou em 2º lugar. Partiu para a Europa e foi campeão das fórmulas Vauxhall (1998), Renault (1999) e F3 Britânica (2000), onde ainda é o mais jovem vencedor. Em 2001, disputou a Fórmula 3000. E, em 2002, se tornou piloto de testes da Williams, na Fórmula 1.

 

Fórmula 1

O “Jungle Boy“, como ficou conhecido, foi titular da Fórmula 1 na Jaguar (2003), mas não ficou até o fim da temporada. Às voltas com uma equipe ligada ao australiano Mark Weber e sem Niki Lauda, que o havia contratado, andou com um carro problemático e sem chances.

Voltou à Williams, se destacou nos testes e estava pronto para assumir o lugar deixado por Ralph Schumacher, em 2005.

Aí vem uma sequência de revelações do piloto, feitas a Duek e Hoffman. Veja:

 

Williams

Pizzonia revelou que foi comunicado da preferência da Williams por Heidfeld cinco minutos antes da apresentação do carro. “O Frank Williams me disse que a BMW tinha pressionado e que o Nick seria titular”, contou. O lendário dirigente da F1 também pediu que o Jungle Boy fosse “profissional” e fizesse seu papel na cerimônia. “Dois minutos depois eu estava lá, no carro, como se nada tivesse acontecido”, disse

“Em setembro, quando a Williams precisava exercer a preferência no meu contrato, Frank Williams me chamou. Ele disse que ainda não podia anunciar, mas a vaga (de Ralph) era 99,9% minha”, contou.

A preferência foi renovada, mês a mês, até janeiro, quando a equipe optou pelo alemão. “O Patrick Head (sócio da Williams) me mandou uma carta explicando detalhes”, acrescenta.

A BMW, além de principal parceira da equipe, dona do motor, havia levado vários outros patrocinadores, como a HP. “Temos a Petrobras, que é brasileira”, argumentou Head. “Então vocês vão ter que decidir quem é o menor”, rebateu Mário Thyssen, o representante da empresa alemã. “Acho que foi isso que azedou as relações entre Williams e BMW, que, logo depois, se separaram”.

 

Le Mans e o fuso-horário de Manaus

Um internauta indagou a razão de Pizzonia nunca ter corrido a famosa prova francesa das 24 horas de Le Mans. “Havia feito várias provas pela equipe e estava tudo certo. Estava dormindo, com o celular no silencioso, quando me ligaram, umas 4h. Acordei, às 6h, e tinha um monte de ligação. Retornei e o patrocinador russo se desculpou: “Tentamos falar com você, desesperadamente, porque precisávamos anunciar o nome do piloto, num evento da empresa na bolsa. Há duas horas anunciamos outro nome”, disse. “Era um contrato não só para Le Mans, mas para duas temporadas”, conta.

 

Coplast

Antonio Pizzonia também contou que está vivendo em Manaus e, há dois anos, se dedicando integralmente à empresa do pai, Reginaldo Pizzonia. “Temos compromisso com os colaboradorers e o meio ambiente. A Coplast – empresa da Zona Franca de Manaus – é a maior recicladora de plástico do Norte. Temos 900 empregados aqui e outros 400 na outra empresa (Rio Limpo). Volto às corridas quando tiver tempo para me dedicar à preparação”.

 

Forma física

O piloto contou que, quando chegou à Jaguar, fez os testes físicos e foi chamado pelo chefe da preparação. “Como você acha que está sua forma?”. “Acho que boa”, respondeu. “Está uma bosta”, disse ele. Pouco depois veio o auxiliar e, sem saber que o chefe tinha falado aquilo, mostrou os resultados: “Você está muito bem, até mesmo para a Fórmula 1”. “Virei amigo do chefe da preparação, que era ex-militar e botava o pessoal para nadar em menos dois graus. Quando corria na pista, já na F1, passava por ele e acenava, como dizendo, ‘Olha aqui o bosta’ (risos)”.

Aos 40 anos, Pizzonia é pai de três filhos, duas meninas e um menino. A mais nova, com a blogueira e digital influencer Bárbara Balbeque, nasceu há pouco. “Olha aqui as olheiras, de dormir pouco”, brincou o piloto.

Veja a entrevista ao “Resenha Stock Car”, com André Duek e Ingo Hoffman, e outras revelações:

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