12/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Trilogia teatral ‘O Outro Entre Nós’ é publicada em livro digital; edição física sai em julho

Publicado em 21 de junho, 2021

O livro “O Outro Entre Nós” está disponível para leitura na plataforma digital Issuu. Foto: Divulgação

A trilogia teatral “O Outro Entre Nós” – formada pelos textos dos espetáculos “A Estrada”, “Flecha Borboleta” e “Casa D’agua” –, de Douglas Rodrigues, foi lançada em formato digital. O livro está disponível para leitura na plataforma digital Issuu, pelo link https://issuu.com/arteefatoteatro/docs/o_outro_entre_no_s_cs4_08_06. No mês de julho, a obra ganhará uma versão física.

Para o dramaturgo e encenador amazonense Douglas Rodrigues, esta publicação para a posteridade cumpre com um papel essencial da cultura: o registro, a memória e a reminiscência. A trilogia “O Outro Entre Nós” foi várias vezes premiada com os espetáculos “A Estrada” e “Flecha Borboleta”. Os dois receberam o prêmio Jarupari de Melhor Dramaturgia no Festival de Teatro da Amazônia.

“Até hoje esse trabalho nunca teve a dimensão que ele merece. As obras, assim como as encenações são premiadíssimas em concursos e editais, no Brasil e no exterior. ‘Flecha Borboleta’ teve temporada na Europa, em 2018; “A Casa D’água” tem convite para ser transformada em cinema, já registrada na biblioteca nacional, porém, sem publicação. Portanto, é um momento oportuno esse lançamento com qualidade profissional e apoio logístico, garantindo resultado singular para a cena de Manaus”, ressalta Douglas Rodrigues.

O livro “O Outro Entre Nós” foi contemplado pelo edital Concurso-Prêmio Manaus de Conexões Culturais 2020 – Lei Aldir Blanc, da Prefeitura de Manaus.

O dramaturgo e encenador amazonense Douglas Rodrigues. Foto: Divulgação

Investimento

O autor comenta que tem sido cada vez mais comum entre os grupos artísticos o investimento no desenvolvimento das obras, entretanto, deixam de publicarem em livros seus trabalhos inéditos.

“É notória a falta de estímulo à criação e à publicação de textos teatrais inéditos, talvez seja justificado pela ascensão das novas metodologias da leitura como o e-book, plataformas virtuais ou pelos mecanismos que diminuem os custos da publicação, como o PDF, transmitido de forma imediata e sem custos, porém, perdemos na falta de registro para a posteridade, perdemos as lembranças, as memórias”, analisa.

“Novo Teatro Amazonense”

Em “O Outro Entre Nós”, o presidente da Academia Amazonense de Letras (AAL), Robério Braga, advogado, escritor e pesquisador da história e patrimônio cultural, relembra a trajetória da dramaturgia amazonense em um texto inédito publicado nas primeiras páginas do livro, e destaca a atuação do dramaturgo Douglas Rodrigues, entre outros artistas desta geração, no que classifica como o “Novo Teatro Amazonense”.

“[…] Pouco depois o quase silêncio completo [do teatro], um novo vazio até 1997 quando se deu o renascimento para a grande projeção que perdura. E ainda bem que perdura! Chegavam os novos atores e atrizes, produtores, criadores, diretores, técnicos, cenaristas, figurinistas… O governo compreendia seu verdadeiro papel e o público restabeleceu sua ligação com o teatro”, destaca Robério Braga.

O presidente da AAL relembra ainda o Festival de Teatro da Amazônia, quando na condição de secretário de Estado de Cultura, teve a oportunidade de premiar as obras de Douglas Rodrigues, a quem saúda como “amazonense da gema”.

O cineasta Zeudi Sousa também presenteia a obra com o texto “Relatos de uma casa ensopada”, em referência à inédita “Casa D’agua”, presente no livro.

Foto: Divulgação

Identidade étnica e cultural

O dramaturgo Sérgio Cardoso, membro da AAL, assina a apresentação da trilogia “O Outro Entre Nós”. Para ele, na obra, Douglas Rodrigues escreve para construir sua própria encenação, roteirizando através de sua obra nascente e vigorosa.

“A coletânea de textos escritos para a encenação teatral, condensados, reúne duas peças já encenadas por seu autor e diretor Douglas Rodrigues, ‘A Estrada’ e ‘Flecha Borboleta’, e a inédita ‘Casa D’Água’, construída para o cinema e com certeza para os palcos, constituem-se como propostas da trilogia sobre a desintegração da identidade étnica e cultural da Amazônia”, afirma Sérgio Cardoso em suas primeiras linhas da apresentação.

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