
Jokka é homenageado. Na foto, ele se debruça sobre o belo visual da baía do rio Negro, que seu restaurante oferece
O empresário amazonense Joaquim Loureiro, conhecido como “Jokka“, dono de uma das peixarias mais tradicionais de Manaus, localizada no bairro São Raimundo, zona Oeste, morreu na madrugada desta terça-feira (15). A causa da morte não foi divulgada. O falecimento foi anunciado nas redes sociais por amigos e familiares da vítima.
A morte comoveu amigos e muitos frequentadores do chamado “gabinete do Jokka”, sua peixaria singular, com vista ampla para o rio Negro, no São Raimundo. Vista privilegiada e sem frescuras no atendimento ou qualquer tipo de rebuscamento no servir. Ali reina a simplicidade, a trilha sonora a cara do dono e o peixe frito mais disputado entre pessoas de todas as classes sociais, de políticos a trabalhadores, incluindo turistas de vários locais.
O arquiteto, urbanista e empresário Roberto Moita fez um artigo em homenagem a Jokka, que além da culinária regional, se destacou por muitos anos por sua singularidade no tratamento, com humor único.

Mais um pouco da irreverência de Jokka

“Jokka, a lenda!
Quem o conheceu sabe do homem inteligente e espirituoso, observador de detalhes e das pessoas e com um humor único.
Pra quem não o conheceu, eu explico, para render-lhe uma merecida homenagem: a experiência do seu restaurante era uma mistura do usufruto de uma paisagem tipicamente manauara, de um barranco sobre o rio, como uma palafita encaixada no barranco, dando a sensação de que estaria prestes a cair, e o exclusivo duelo de palavras com ele.
Por acaso vinha um peixe entre 20min e 1h20, como jokkosamente ele anunciava. Essa palavra, aliás, encaixava nele em todos os sentidos.
Fomos mais de uma vez lá, em grupos de amigos, pedindo licença pra entrar, já que era um restaurante somente para convidados.
Jokka, com sua irreverência, nos divertia, instigando nossas verdades e crenças, cativando pela insolência e pelo inusitado de suas tiradas, algumas recorrentes e aguardadas, outras bastante criativas e adequadas ao contexto dos diálogos.
Ele não ofendia ninguém. Somente os tolos não entendiam seu humor atravessado.
Isso tudo era uma sabedoria, criada na simplicidade de sua labuta cotidiana. Fruto de seu espírito intuitivo e criativo.
Ele morreu de tristeza por sua amada, que partiu, vítima da Covid-19.
Jokka Loureiro vai para a categoria de lenda manauara. Desejamos que possa descansar em paz.”