
Entre as principais vias atingidas pela cheia deste ano estão a avenida Eduardo Ribeiro, parte da Floriano Peixoto, rua dos Barés e Barão de São Domingos. Foto: Divulgação
Com previsão de ultrapassar a maior cheia da história do Rio Negro em 2012, o Centro de Manaus começa a sentir os impactos da subida no nível das águas deste ano. Entre as principais vias atingidas pela cheia deste ano estão a avenida Eduardo Ribeiro, parte da Floriano Peixoto, rua dos Barés e Barão de São Domingos.
Parte do comércio nestas regiões atingidas pela água ficou bastante prejudicado por conta da dificuldade que os pedestres encontraram para transitar em meio à água e lama, como é o caso do senhor Mário Farias, que disse ter tido dificuldades para fazer suas compras, pois a loja onde ia já havia sido atingida pelas água e, para ter acesso a ela, tinha que caminhar por paletes, o que para ele era dificultoso por sofrer de problemas físicos em uma das pernas.
A loja onde Mário estava fica localizada no entorna da Praça Terreiro Aranha com a Floriano Peixoto. No local, a água já chegou no nível das calçadas. Temendo o pior, como a perda de mercadorias, alguns comerciantes começaram a construir barricadas, muros e paletes sobre as calçadas. E algumas dessas lojas precisaram reorganizar as mercadorias sobre tamboretes.
“Eu não sabia que esta região estava desse jeito. É complicado andar por aqui. Eu vim comprar material escolar. Já é possível sentir o mau cheiro e ver o lixo, mesmo que pequeno, mas creio que isso pode aumentar com o decorrer dos dias”, destacou Raimunda Aparício.
A Prefeitura de Manaus já instalou pontes em alguns pontos para tentar minimizar o transtorno e facilitar a passagem tanto dos pedestres, quanto dos trabalhadores da região. Por outro lado, lojistas, permissionários das feiras e camelôs já estão sentindo no bolso a diminuição no fluxo financeiro do comércio.

Algunas donos de lojas já tiveram que colocar suas mercadorias sobre paletes. Foto: Divulgação
Além de gastos extras com a construção de contenção para evitar a entrada do aguaceiro nas lojas, os comerciantes também estão sentindo no bolso a diminuição do fluxo de clientes e das vendas. “Felizmente neste ano gastamos pouco, a prefeitura se antecipou com a subida das águas e começou a colocação de rip-rap”, disse Carlos Furtado. Ele destacou, ainda, já ter visto cheias mais aceleradas que esta de 2021, e que não acredita que a deste ano venha ser uma das piores.
Trabalhando há três meses como caixa em uma loja de roupas e artigos para bebê, Alian de Castro já sentiu na pele a diminuição nas vendas. Na loja onde ela trabalha, a situação não é diferente das outras. A mercadoria precisou ser colocadas em níveis de altura mais elevados. Para ela, a dificuldade de chegar até as lojas tem atrapalhado a ida de clientes até o local.
Outro ponto do Centro que está sendo prejudicado pela subida das águas é a feira da Manaus Moderna, que será interditada por cerca de 90 dias e os trabalhadores serão remanejados para uma balsa em frente à feira com 200 boxes para os feirantes continuarem suas vendas.
De acordo com o prefeito de Manaus, David Almeida, a freira flutuante comportará os feirantes durante o período de cheia até a chegada do período de vazante dos rios. O prefeito ainda falou que a estrutura será permanente e, após os 90 dias estimados para os trabalhadores da Manaus Moderna, a balsa passará a ser usada em outros pontos da cidade, como a feira da Panair e Puraquequara.

Muros de contenção foram erguidos em alguns estabelecimentos. Foto: Divulgação
Por conta da aceleração da subida das águas, nesta terça-feira (18/5), cerca de 200 homens estão trabalhando para concluir os trabalhos da feira flutuante. A expectativa é que a mesma seja entregue ainda esta noite. Os trabalhos são realizados por meio de uma parceria conjunta entre três secretarias da prefeitura de Manaus, dentre elas Semacc, Semulsp e Defesa Civil.

Técnicos da Água de Manaus medem o PH das águas. Foto: Divulgação
Em todos os pontos alagados do Centro da cidade, técnicos químicos da Águas de Manaus estão verificando o nível do PH da água que invade a ruas. A medição é essencial para o parâmetro da quantidade de solução alcalina à base de hidróxido de cálcio que será sendo adicionado nos pontos alagados.
A implantação de cálcio serve para evitar a proliferação de bactérias e, com isso, diminuir o mau cheiro nas regiões onde água está empoçada. A ação é uma parceria da agência de abastecimento de água, Prefeitura de Manaus e Defesa Civil.
Reportagem: David Batista e Luan Torres