
A cirurgia de Ana Vitória, que nasceu com hidrocefalia, foi realizada no Instituto da Criança do Amazonas (Icam). Foto: Divulgação/SES-AM
O Dia das Mães, comemorado neste domingo (9/5), foi ainda mais especial para Izete Ferreira Duarte. Aos 44 anos, ela é mãe da primeira criança a passar por cirurgia neurológica na rede pública de saúde do Amazonas, realizada no último dia 24 de abril, no Instituto da Criança do Amazonas (Icam). Ana Vitória se recupera na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Icam, apresenta evolução favorável e não está mais intubada.
“Eu agradeço primeiramente a Deus e ao hospital, que está me apoiando. Todo mundo nos deu apoio, cuidou muito bem não só da minha filha como de todas as crianças da UTI. Fico feliz que ela foi a primeira que fez essa cirurgia”, comentou Izete, que também é mãe de um jovem de 19 anos, e disse que não faltaram motivos para comemorar este Dia das Mães. “Vai ser diferente porque os médicos já tinham dito que eu não podia mais engravidar, então o presente desse ano é minha filha. Apesar de tudo que estou passando com ela, acredito que a vitória vai ser maior, na minha vida e na vida dela”, ressaltou.
Ana Vitória nasceu no dia 4 de março, na Maternidade Ana Braga, prematura de 31 semanas e portadora de hidrocefalia por hemorragia periventricular decorrente da prematuridade. O procedimento que marca a implantação do novo serviço de cirurgia neurológica infantil da rede pública de saúde do Amazonas ocorreu quando a criança tinha 52 dias de vida, e foi bem-sucedido, segundo avaliação da equipe médica.
“Ela ficou um tempinho intubada, não necessariamente pela patologia neurocirúrgica, pelo pós-operatório dela em si, mas pela própria condição clínica dela. Já foi extubada, a tomografia de controle dela mostrou que teve uma evolução favorável, controlou a hidrocefalia dela. Está dentro daquilo que a gente espera”, detalhou o neurocirurgião Moyses Cohen, um dos médicos que conduziram a cirurgia.
O profissional destacou a importância do serviço para a saúde das crianças que precisam das cirurgias. “Um lugar onde você pegue mais cedo essas crianças e tenha retaguarda, ou seja, UTI pediátrica, um pediatra, um intensivista pediátrico, tomógrafo e um serviço de neurocirurgia em continuidade, faz muita diferença no tratamento e na condição dessas patologias”, destacou Cohen.

Izete Ferreira Duarte, mãe de Ana Vitória, passou um Dia das Mães especial. Foto: Divulgação/Herick Pereira/Secom
A cirurgia consistiu na introdução de um cateter intracerebral para tratamento da hidrocefalia, doença na qual ocorre o acúmulo de água dentro da cabeça, sendo um procedimento de curta duração. “A Ana nasceu com uma má formação cerebral, isso gera uma produção de líquido na cabeça muito intensa. Nós precisamos retirar esse líquido e drenar para uma outra região, que geralmente é a região do abdômen”, explicou Wander Ferreira, neurocirurgião do Icam que também fez parte da equipe da cirurgia.
“Quanto mais houver esse encurtamento do contato com o neurocirurgião, melhor é o prognóstico dessas crianças, inclusive para essa mãe, para que ela não tenha uma criança com o que a gente chama de macrocefalia, o que é muito ruim para essas mães”, acrescentou Wander.

Foto: Divulgação/Herick Pereira/Secom
A implantação do novo serviço de cirurgia neurológica infantil do Amazonas é um avanço na área da pediatria e no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço estava em projeto há mais de dez anos e, agora, possibilita tratamento digno e melhor recuperação para as crianças.
“As outras mães que estão passando por tudo isso também, que não percam a esperança, porque eu não perdi a esperança e Deus abriu as portas, colocou anjos nos nossos caminhos para nos ajudar”, concluiu a mãe de Ana Vitória.
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