27/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Soldado da PM denuncia tenente-coronel por assédio sexual e pede medida protetiva

Publicado em 28 de abril, 2021

Soldado da PM denuncia tenente-coronel por assédio sexual e pede medida protetiva

A soldado Jéssica do Nascimento gravou as conversas que manteve com o tenente-coronel e apresentou denúncia contra ele por assédio sexual. Foto: Reprodução

A soldado Jéssica Paulo do Nascimento, 28 anos, lotada atualmente no 45° Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM/I), em Praia Grande, no litoral de São Paulo, denunciou o tenente-coronel Cássio Novaes por assédio sexual e ameaças de morte e estupro em mensagens de aplicativo fora do horário de serviço, além de perseguição no trabalho. A PM informou que foi aberto um inquérito na Justiça Militar para apurar o caso e o oficial foi afastado do comando. O tenente-coronel ainda não se manifestou sobre as denúncias e acusações da soldado.

Segundo relato da soldado, as investidas do superior começaram em 2018, quando ele havia acabado de assumir o comando do Batalhão da Zona Sul de São Paulo. Ela disse ao superior que era casada e tinha filhos, recusando o convite. “Depois desse dia, minha vida virou um inferno”, disse. “No outro dia, ele já começou a me perseguir no serviço”.

Ela chegou a ser transferida para outra companhia, longe de sua residência. Segundo ela, após esta transferência, marcou uma reunião para conversar com o comandante, mas foi humilhada na frente de outros quatro colegas de farda.

Para evitar ainda mais a perseguição do coronel, a soldado conta que tirou uma licença sem vencimento de dois anos no início de 2019. “Pensei: ‘nesses dois anos ele vai se aposentar, vai me esquecer e vai me deixar em paz’. Sugeri então ao meu marido que procurássemos um outro lugar para viver. Assim, viemos para a Praia Grande, para onde ele conseguiu se transferir. Mudei meu número de telefone e tudo parecia estar bem”, relembra. Com o fim da licença, ela voltou para a corporação em março deste ano.

No fim do mês, o comandante conseguiu o número de celular dela e passou a fazer investidas sexuais cada vez mais insistentes, prometendo sustentar os filhos da soldado, promoção dentro da corporação e a transferência que ela queria para a baixada Santista.

“Eu pensei que precisava de provas, porque ele sempre ia fazer isso e ninguém ia acreditar. Entrei em contato com um advogado e ele me orientou a ver até onde ele iria, deixando ele falar”, conta.

Agora, a soldada diz esperar que a Justiça seja feita e os danos provocados a ela, reparados. E deseja que sua história sirva de exemplo para outras pessoas, que enfrentam problemas semelhantes ao dela.

Medidas protetivas

A soldado solicitou medidas protetivas para ela e a família. O advogado dela também solicitou, à Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, a prisão preventiva do comandante e a suspensão do porte e posse de arma dele.

A soldado está lotada, atualmente, no 45° Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM/I), em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O tenente-coronel Cássio Novaes, denunciado pelos crimes, atuava na capital paulista.

Henrique explica que o pleito pela representação do pedido de prisão preventiva partiu, entre outros motivos, pelo risco de intervenção do tenente-coronel nas investigações. “Ele mesmo diz que tem contatos com desembargadores e, por ele ostentar um cargo de alta patente, há um risco que ele possa intervir no andamento do inquérito militar”, explica.

 

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