12/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Companhia de artes cênicas lança série de solos de teatro nas redes sociais

Publicado em 25 de abril, 2021

As performances de “Memoriografias” estão disponíveis nos perfis do Ateliê 23 no Instagram e no YouTube. Foto: Divulgação

A partir de memórias pessoais e compartilhadas, reais e inventadas, o Ateliê 23 apresenta a série de solos de teatro “Memoriografias”, que propõe ao público uma projeção do ser humano e as possíveis leituras na cena teatral. As performances estão disponíveis no Instagram e no canal da companhia no YouTube (@atelie23).

O projeto foi contemplado pelo Edital Prêmio Manaus de Conexões Culturais 2019, da Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult).

O ator e diretor Taciano Soares explica que “Memoriografias” surgiu como passo inicial de uma pesquisa para estudar o fenômeno do espetáculo solo e as relações dele com o lugar do pensamento, do amadurecimento e transição conceitual da companhia e do grupo de intérpretes na construção de modalidades espetaculares na contemporaneidade. Ele adianta que o trabalho traz “Baleia”, inspirado na obra “Coração de Baleia”, de Martina Sohn Fischer, por Wilas Rodrigues; “Giorgina”, por Eric Lima; “Pai”, por Taciano Soares e “Subsolo”, inspirado na obra “Memórias de um Subsolo”, de Dostoiveski, por Laury Gitana.

“Entendemos, com a mostra final dos resultados de um intenso processo de pesquisa a ser desenvolvido, a montagem de quatro espetáculos solos”, afirma o diretor, que, em parceria com Jean Palladino, comandou ainda a criação solo em dramaturgia no trabalho dos atores e diretores no processo de construção e adaptação das obras.

Ambiente virtual

O projeto é coordenado pelos integrantes do Ateliê 23. Segundo Taciano, por conta das condições impostas pela pandemia da Covid-19, “Memoriografias” foi adaptado para o ambiente virtual, o que desafiou o elenco a adaptar a linguagem do teatro para o diálogo pelas telas de celulares, computadores e televisões.

“O grupo que já trabalha com a estética das Bionarrativas Cênicas, que são o uso de materiais biográficos e documentais para livre construção dos seus espetáculos, vem experimentando sensações possíveis de serem criadas através da lente das câmeras, desde o espetáculo ‘Vacas Bravas [online]’, que, na produção dos quatro solos, se intensificou e ampliou o repertório de experimentações”, comenta o ator.

A performance “Subsolo”, com a atriz Laury Gitana. Foto: Divulgação

Linguagem

Em “Giorgina”, a palavra-chave norteadora do processo de gravação foi “documentário”, em uma disposição parada da câmera que privilegia o trabalho de atuação do ator Eric Lima, o que pode se ver também em “Pai”, mas com pequenas intervenções de mobilidade da imagem, em contraponto ao personagem de Taciano Soares, que apresenta uma total imobilidade dos membros inferiores em sua composição.

Já na obra “Subsolo”, a atriz Laury Gitana atua submersa e, às vezes, em diálogo com o cenário inóspito de areia, que preencheu toda a sala de espetáculos da sede do grupo, onde os trabalhos foram gravados, diferente de “Baleia”, onde o ator-performer Wilas Rodrigues desempenha ações impactantes e destinadas ao público maior que 18 anos, mas que são fortemente permeadas pelo trabalho de edição do vídeo que criou uma espécie de vídeo-performance.

Ateliê 23

A sede da companhia, na Rua Tapajós, 166, no Centro de Manaus, está entre os poucos espaços culturais privados de Manaus e abriga muitos grupos e artistas independentes para realizar ensaios, temporadas de espetáculos, encontros, lançamentos de livros, apresentações acadêmicas, debates e oficinas.

Em sete anos de trajetória, o Ateliê 23 tem no repertório 16 espetáculos, com destaque para “Helena”, selecionado para a mostra a_ponte: cena do teatro universitário do Itaú Cultural e indicado ao Prêmio Brasil Musical; “da Silva” e “Ensaio de Despedida”, indicados para o projeto Palco Giratório, do Sesc; “Vacas Bravas” e “Persona – Face Um”. Este último colocou em pauta o tema transfobia e ficou um ano e meio em cartaz.

Antes da pandemia, o equipamento cultural abria as portas para o público todos os fins de semana, de fevereiro a dezembro. Em seis anos, mais de sete mil pessoas passaram pela sala de espetáculos com capacidade para 40 lugares.

O local já sediou ações promovidas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Federação de Teatro do Amazonas (Fetam), Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Fundação Nacional de Artes (Funarte), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e Serviço Social do Comércio (Sesc).

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