
A Aldeia da Memória Indígena de Manaus foi inaugurada na noite desta segunda-feira (19). Foto: Divulgação/Valdo Leão/Semcom
Como forma de reconhecer os primeiros habitantes de Manaus, o prefeito David Almeida inaugurou na praça Dom Pedro II, localizada no Centro Histórico, marco zero da capital, a Aldeia da Memória Indígena de Manaus. A inauguração aconteceu na noite desta segunda-feira (19) e também contou com o lançamento de um mural de 34 metros de comprimento com quatro imagens retiradas de livros históricos da região.
“Às margens do rio Negro, onde nasceu a cidade de Manaus, aos povos indígenas, peço perdão histórico com esse reconhecimento após 351 anos. Desde 1542, quando aqui chegou o primeiro homem branco, vocês já estavam aqui. O que é de vocês, retorna como forma de reconhecimento pelo poder público municipal”, declarou David Almeida.
Durante a cerimônia realizada em frente ao Museu da Cidade de Manaus, o prefeito relembrou que o local onde hoje está a praça Dom Pedro II era um cemitério indígena.
“Quero frisar a importância deste evento simbólico. Nós precisamos conhecer a nossa cidade. Isto aqui é um lugar sagrado, isto aqui é uma necrópole de Manaus. Quando Francisco de Orellana, que descia o rio Amazonas, vindo do Peru, passou por aqui, já estavam os barés, tarumãs, os manaós, povo guerreiro. Esse lugar era um cemitério indígena. Manaus é uma cidade nascida dos povos indígenas e vamos fazer esse reconhecimento com esse memorial”, destacou.

Durante o evento também foi lançado um mural de 34 metros de comprimento, pintado pelo artista Fábio Ortiz, com quatro imagens. Foto: Divulgação/Valdo Leão/Semcom
Além do memorial, também foi entregue um mural de 34 metros, pintado pelo artista Fábio Ortiz, com quatro imagens retiradas de livros históricos: o mapa das calhas dos rios, o guerreiro Ajuricaba, os manaós e o cemitério indígena na visão do colonizador.
O presidente do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), Tenório Telles, falou da importância de respeitar o solo sagrado da praça próximo ao marco zero de Manaus e homenageou os povos indígenas com o poema “A vida verdadeira”, do poeta Thiago de Mello.
“Não tenho caminho novo. O que tenho de novo é esse jeito de caminhar. Que nós possamos, a partir de hoje, caminhar de uma forma diferente, com mais tolerância, solidariedade, fraternidade, liberdade e acolhimento”, citou.

O prefeito de Manaus, David Almeida, lembrou que no local onde hoje está a praça Dom Pedro II existia um cemitério indígena. Foto: Divulgação/Valdo Leão/Semcom
O diretor-presidente da Fundação de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Alonso Oliveira, fez questão de agradecer ao apoio dado pelo prefeito David Almeida, que abraçou a ideia de reconhecer o local como solo sagrado indígena.
“Ao prefeito, nosso reconhecimento pelo seu apoio a este momento histórico de nossa cidade. Que este momento seja um marco de uma nova etapa para a história de Manaus. Aos nossos irmãos indígenas, contem com o nosso apoio, nosso trabalho e dedicação, para esse resgate da memória histórica de nossa cidade e de nossa ancestralidade. Vamos trabalhar para tornar realidade um sonho que estamos vivendo hoje”, concluiu.

Foto: Divulgação/Valdo Leão/Semcom