10/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Aldeia da Memória Indígena de Manaus será inaugurada no Dia do Índio

Publicado em 16 de abril, 2021

Indígenas gravaram vídeos que serão exibidos durante a inauguração do memorial, localizado na praça Dom Pedro II, Centro de Manaus. Foto: Divulgação/Oliveira Júnior/Manauscult

Na próxima segunda-feira (19), Dia do Índio, a Prefeitura de Manaus vai inaugurar a Aldeia da Memória Indígena de Manaus. Localizado na praça Dom Pedro II, Centro, o memorial celebra a presença e importância dos povos para a formação cultural e social da capital amazonense.

A produção do evento é da Fundação de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) e do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), que gravaram vídeos que serão exibidos durante a inauguração, com as falas de anciãos, lideranças e grupos musicais indígenas em plena praça, agora memorial oficial dos antepassados dos índios tarumãs, passés, baniwas, barés e manaós.

O presidente do Concultura, Tenório Telles, explica que para facilitar o processo de conscientização e de acolhimento da sociedade, quanto à existência e importância do cemitério indígena, estão sendo desenvolvidos projetos com objetivo de aproximar a população de Manaus da história e memória indígena, e tudo começa com o reconhecimento oficial do território sagrado, onde será criado o memorial indígena de Manaus.

Discursos

Um dos depoimentos gravados, que será exibido na cerimônia inaugural, é do kokama Carmelindo Moraes, o “Mindu”, de 82 anos, que mora em Manaus desde 1984. Nascido em um seringal, no município de São Paulo de Olivença – a 975 quilômetros da capital – filho de indígenas aldeados, Mindu trocou a vida de seringueiro, pescador e coletor, pela de pedreiro na construção civil em Manaus, onde constituiu uma família com nove filhos e 14 netos.

Ele disse sentir orgulho em saber que no subsolo da praça Dom Pedro II, onde gravou sua fala para a inauguração do memorial, estão sepultadas várias gerações de indígenas, os seus ancestrais. “Esse memorial é muito importante para nossa gente e vai servir, não só para nós, mas para as novas gerações, que vão ter o respeito de toda gente”, disse o ancião, citando que até agora só as autoridades e os grandes comerciantes são considerados os fundadores desta cidade, e que espera ver isso mudar no futuro.

Foram selecionados seis indígenas residentes em Manaus pela suas histórias e trajetórias de sobrevivência e afirmação cultural em suas comunidades espalhadas por vários bairros da capital.

O presidente do Concultura, Tenório Telles, explica que estão sendo desenvolvidos projetos para aproximar a população de Manaus da história e memória indígena. Foto: Divulgação/Oliveira Júnior/Manauscult

Histórico

A dirigente da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), Marcivana Saterê-Maué, ressalta que a importância da criação do memorial e a atuação dos indígenas, como protagonistas, é uma grande conquista. “Nosso grande problema na cidade foi sempre a invisibilidade, a negação de que Manaus tem suas raízes indígenas, que sua criação é a partir da presença dos europeus”, conta a líder, justificando que as falas dos indígenas, com destaque numa inauguração, é um marco histórico, dando base para uma nova narrativa do processo civilizatório a partir de agora.

Um outro destaque do cerimonial de inauguração será a presença de uma mestre de cerimônias indígena, a apurinã Jéssica Batista, 28, bacharel em Direito pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Nascida em Manaus, filha de pai da aldeia Talmiri, no município de Tapauá – a 566 quilômetros da capital –, e mãe da aldeia Jauari, do município de Beruri – a 173 quilômetros de Manaus –, ela foi indicada pela Copime para dar o tom de protagonismo em todo o processo de criação do memorial, explica Marcivana.

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