02/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Dia do Índio: projeto ‘Aldeia360’ proporciona visita virtual a uma aldeia indígena

Publicado em 11 de abril, 2021

A visita virtual pela terra indígena Jaraguá, localizada no noroeste da cidade de São Paulo, poderá ser acessada pelo site oficial do projeto “Aldeia360” somente a partir do próximo dia 19. Foto: Divulgação

No próximo dia 19 – o Dia do Índio –, será lançado o projeto em realidade virtual “Aldeia360”, que tem entre os objetivos compartilhar a realidade dos Guarani, para estabelecer o espaço de arte e cultura entre comunidade, artistas e público em geral, proporcionando uma visita virtual em 360° neste local sagrado e ainda pouco conhecido da população brasileira.

O projeto poderá ser acessado por meio do link www.aldeia360.art.br, somente a partir do dia 19. A iniciativa de resgate cultural é da Claque Produções, em parceria com a Triarts New Media e o artista Dinas Miguel.

Desde 1940 no dia 19 de abril é comemorado nacionalmente – pelos não indígenas – o Dia do Índio, uma data para lembrar as raízes que nos tornam brasileiros, mas também para celebrar um povo que historicamente tem sido colocado à margem em nossa sociedade.

No momento em que a pandemia de Covid-19 assola o planeta e coloca os povos indígenas como grupo de risco, o “Aldeia360” transportará o público, virtualmente por celular, computador ou headset de realidade virtual, para a terra indígena Jaraguá, localizada no noroeste da cidade de São Paulo. Em um ambiente tão marcado por concreto e urbanismo, no Pico do Jaraguá, um importante ponto turístico, estão localizados mais de mil indígenas Guarani Mbya, que através de sua cultura e atividades mantêm o modo de viver tradicional, mesmo dentro da maior metrópole do país.

Com uma grande reserva de mata Atlântica no local, que compõe o chamado Cinturão Verde da Cidade, por lá se dividem diversas aldeias desse grupo pertencente à família linguística tupi-guarani, que atualmente estão espalhados pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Gratuita

Nessa visita gratuita as pessoas serão recebidas pelos moradores da Aldeia “Tekoa Itakupe” (em português, Tekoa “lugar onde é possível realizar o modo de ser” e Itakupe, “atrás da pedra”), que habita a parte de trás do Pico do Jaraguá, ponto mais alto da capital paulistana. Assim como todos os Mbya, eles são exemplos de grande resistência histórica e cultural, mantendo sua língua e cultura tradicionais por meio de cantos, danças e rezas. Para os Guarani, o conceito de “cultura” é entendido pela palavra “nhandereko” (em português, “nosso modo de viver”) e é justamente uma experiência imersiva neste universo que é possível viver dentro do “Aldeia360”.

“O povo indígena resiste a São Paulo. Eu sempre falo muito isso. Muita gente, quando escuta que na cidade existem aldeias indígenas, não acredita ou já começa a ter alguma atitude preconceituosa. Para nós, estar aqui, é uma demonstração da resistência Guarani. Aqui as crianças já nascem com essa cultura, já praticam os costumes, falam a língua e eu agradeço a Nhaderu (Deus Guarani) por colocar pessoas no nosso caminho para ajudar a divulgar nosso modo de vida, nossa realidade”, conta a cacica da Tekoa Itakupe, Geni Para Yry.

A subsistência dos Guarani Mbya vem basicamente da venda de artesanato. Foto: Divulgação

Pandemia

“Chegamos até os Guarani Mbya, na aldeia de Tekoa Itakupe, através do grafiteiro e artista visual Dinas Miguel, do coletivo “Cultura e Conceito” e fomos aos poucos sendo inseridos e entendendo a cultura e tradições. A subsistência deles vem basicamente da venda de artesanato, por meio de parcerias e doações, além do turismo da região do Jaraguá, portanto a pandemia teve um efeito devastador. Nossa entrada por lá foi possível graças ao decreto que colocou os povos indígenas na lista de prioridade na vacinação, pois quando filmamos na aldeia, já estavam todos imunizados”, comenta o cineasta Marcos Grossi, diretor artístico da produtora Claque Produções e idealizador do projeto.

“Notamos que por conta da pandemia, a melhor maneira que poderíamos ajudar a aldeia era pela divulgação da cultura Guarani Mbya por um tour imersivo virtual. Para isso acontecer, criamos uma plataforma que nos permite reunir todo conteúdo e organizá-lo como um percurso linear. Unimos tudo isso à tecnologia de giroscópio que os celulares e tablets possuem para uma sensação 360° de visão em primeira pessoa”, completa Max Leonardo, diretor da Triarts New Media, empresa responsável pelo desenvolvimento da plataforma.

Os conteúdos da visita virtual vão desde fotos, entrevistas, até imersão total no ambiente, seja em lagos, trilhas ou até cerimônias. Foto: Divulgação

Conteúdos

O projeto visa trazer à tona a importância da preservação da cultura e do meio ambiente vivenciados pela comunidade, pela visão das lideranças e xamõis (em português, pessoas mais velhas/líderes espirituais) e também dos Xondaros e xondaras (em português, guerreiros e guerreiras/lideranças jovens). Na visita virtual à aldeia, é possível ter as mais diversas experiências e aprender com conteúdos que vão desde fotos, entrevistas, até imersão total no ambiente, seja em lagos, trilhas ou até cerimônias.

Para chegar nesse produto final, além da cacica Geni Para Yry, foi necessária a participação de muitas pessoas, entre elas: Pedro Karai Apua, xamõi da aldeia Tekoa Itakupe; Jeferson Xondaro, rapper de 21 anos da aldeia Tekoa Itakupe; Tamikuã Txihi, artista plástica, artesã, ativista e escritora, que traz sua poesia e repertório de vivências em diferentes etnias para compor seu trabalho multimídia; Thiago Carvalho, cineasta, fotógrafo e ativista das causas indígenas, tem em seu currículo diversos documentários e exposições fotográficas focadas nesse tema; e Adriano Sampaio, permacultor que atua em intervenções na cidade de São Paulo desde 2013, regenerando nascente de rios, e está inserido na aldeia desde 2015 ajudando a preservar a área.

Prêmio Aldir Blanc

O “Aldeia360” foi viabilizado através do Prêmio Aldir Blanc de Apoio à Cultura na Cidade de São Paulo, do edital da Secretaria Municipal de Cultura. Nesse primeiro momento, a partir do dia 9 de abril, focado na aldeia Tekoa Itakupe, o projeto prevê continuidade e expansão em outras aldeias.

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