
A transmissão, na sexta-feira (5), integra a programação do Dia Mundial da Água para sensibilizar a população quanto à importância do patrimônio imaterial nacional. Foto: Divulgação
O Fórum das Águas, articulação da sociedade civil organizada por meio de representações e movimentos sócio-ambientais, promoverá, na próxima sexta-feira (5), às 10h, a live “Encontro das Águas: a quem interessa a destruição?”, na página institucional no Facebook. A transmissão integra a programação para sensibilizar a população quanto à importância do patrimônio imaterial nacional e quanto à situação das águas na Amazônia, preparada para o mês de março em alusão ao Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março pela Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo é iniciar o cronograma de ações previstas para o mês da água.
A transmissão terá a participação do antropólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Ademir Ramos e o fotógrafo, educador e ativista ambiental Valter Calheiros, ambos co-fundadores do Movimento SOS Encontro das Águas. A mediação será feita pela atriz Socorro Papoula, ativista do Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia.
“Provocamos o STF (Supremo Tribunal Federal) para manifestação quanto ao processo de homologação do tombamento do Encontro das Águas, que ocorreu há dez anos e está sendo questionado por interesses político e econômicos no estado do Amazonas. Após notificar as partes envolvidas, o Governo do Estado solicitou um prazo de 60 dias para apresentar uma proposta de acordo em torno da construção da mega plataforma portuária, o que muito nos preocupa”, explica Ademir Ramos.
Valter Calheiros, responsável pelo registro etnográfico do Encontro das Águas por meio de fotografias, ressalta que não houve chamamento ou discussão com a sociedade civil a respeito desse possível “acordo”. “Isso demonstra que há uma aliança entre os interesses envolvidos que exclui a sociedade civil organizada, que defende a manutenção da biodiversidade local que, sequer, foi estudada ainda”, afirma.
Um dos apoiadores da defesa do Encontro das Águas, o poeta amazonense Thiago de Mello completa 95 anos no próximo dia 30. Socorro Papoula lembra a trajetória dele à frente do Movimento SOS Encontro das Águas e na luta pelo tombamento, ocasião em que fez um poema em homenagem ao patrimônio imaterial nacional. “Este ano, o nosso mês de luta em defesa deste nosso bem natural será dedicado a ele, que ainda continua nos inspirando, com suas palavras, a defender a natureza”, afirma a atriz e ativista feminista.

O Encontro das Águas foi tombado como patrimônio cultural e natural pelo Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em novembro de 2010, mas a medida foi contestada pelo Governo do Amazonas e, atualmente, encontra-se no Superior Tribunal Federal (STF), onde tramita a Ação Cível Originária nº 2514.
O tombamento assegurou a proteção dos dez quilômetros contínuos do fenômeno, além dos 30 quilômetros quadrados do seu entorno, por seu valor histórico, cultural, estético, paleontológico, geológico e paisagístico como um patrimônio natural da Amazônia. As águas percorrem os municípios de Manaus, Careiro da Várzea e Iranduba, no Amazonas.
O Dia Mundial da Água foi instituído pela ONU por meio da Resolução A/RES/47/193, de 21 de fevereiro de 1993, para orientar a realização de atividades de reflexão em todo o mundo sobre o significado da água para a vida na Terra, a fim de alertar a população mundial acerca da importância da preservação hídrica para a sobrevivência de todos os ecossistemas do planeta. De acordo com a ONU, a água potável é um direito humano garantido por lei desde 2010.
Live “Encontro das Águas: a quem interessa a destruição?”
Quando: sexta-feira (5/3), às 10h
Onde: Facebook Fórum das Águas