
A estratégia de implantação de miniusinas, no Amazonas, foi traçada após o aumento no número de hospitalizações de pacientes com Covid-19. Foto: Arthur Castro/Secom/Divulgação
O Amazonas passou a contar, nesta terça-feira (2), com mais duas miniusinas, que passaram a operar no Hospital Nilton Lins – Referência Covid-19 – e no Instituto da Criança do Amazonas (Icam), unidades vinculadas à Secretaria de Estado da Saúde (SES-AM), localizadas nas zonas Centro-Sul e Sul, respectivamente. Com essas, são 18 equipamentos do tipo já em funcionamento no Estado, gerando, de forma independente, 7.656 metros cúbicos de oxigênio medicinal.
O governador Wilson Lima destacou que as miniusinas são um reforço na oferta de oxigênio. “As usinas estão sendo montadas em tempo recorde de até cinco dias após a entrega, o que permitirá, por exemplo, a abertura de novos leitos pela Secretaria de Estado da Saúde, ampliando a oferta de tratamento especializado contra a Covid-19 na rede”, disse.
De acordo com o titular da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), Carlos Henrique Lima, outras 46 miniusinas devem ser instaladas na capital e no interior, totalizando, até agora, 64 equipamentos. Desses, 30 estão em fase final de aquisição pelo Governo do Amazonas. As demais foram doadas pelo Ministério da Saúde (MS), Hospital Sírio-Libanês, Fundação Itaú, SOS Amazonas e União BR. Uma parte também foi adquirida pelas prefeituras municipais, empresa White Martins, Hospital do Amor da Amazônia e UNFPA, além de aquisições particulares.
Pelo menos 23 municípios do Amazonas, além da capital, receberão as estruturas, ação que dará início ao processo de autossuficiência do interior, que hoje é abastecido, em grande parte, por cilindros. As localidades mais populosas, como Manacapuru e Itacoatiara, tiveram os tanques de oxigênio (O2) substituídos por estruturas de maior capacidade.
Nesta semana, Tabatinga, a 1.108 quilômetros de Manaus, localizada na tríplice fronteira Brasil/Colômbia/Peru, terá uma miniusina em funcionamento, ampliando a oferta de oxigenioterapia na localidade. O equipamento será instalado no complexo que agrega uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e uma maternidade; e terá a capacidade de gerar, diariamente, 624 metros cúbicos de O2, o suficiente para manter cerca de 30 leitos clínicos.
Além disso, nesta terça-feira (2), chega a Manaus uma miniusina da fornecedora de gases medicinais White Martins, que substituirá o aparelho existente no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), vinculado à Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Com ela, será iniciado o processo de abertura de mais 70 leitos clínicos na unidade hospitalar, ampliando a oferta de tratamento especializado a pacientes acometidos pela Covid-19.
A estratégia de implantação de miniusinas, no Amazonas, foi traçada após o aumento no número de hospitalizações de pacientes com Covid-19, em janeiro, o que gerou uma escassez de O2 no estado.

Foto: Arthur Castro/Secom/Divulgação
Desde o início da pandemia, em março de 2020, o Governo do Amazonas tem trabalhado para a ampliação de leitos exclusivos para pacientes com Covid-19. Isso inclui equipamentos e recursos humanos, que vêm sendo supridos com apoio do Governo Federal. Desde que colocou em prática o Plano de Contingência para o Recrudescimento da Covid-19, entre o fim de outubro e início de novembro, foi possível ampliar em 155% o número de leitos exclusivos para pacientes com o novo coronavírus.
Os mais recentes são os 30 leitos do Hospital Nilton Lins e os 57 da Enfermaria de Campanha, instalada no Hospital Delphina Aziz, que entraram em operação nesta última semana de janeiro. O Estado possui estrutura montada para abrir novos leitos, mas depende da solução definitiva para o oxigênio e também de recursos humanos, que apresentam escassez em todo o país.
De acordo com a SES-AM, todos os esforços estão sendo feitos no enfrentamento da pandemia de Covid-19 e a falta de UTI no interior do Amazonas é uma deficiência histórica do sistema de saúde local. Não há profissionais intensivistas no Estado para levar para o interior, e os hospitais locais não possuem estrutura adequada para prestar esse nível de complexidade.
A estratégia tem sido apoiar o município para o atendimento precoce e dar o máximo de suporte para pacientes que entram nos hospitais, para que esses não agravem, e transferir os mais estáveis, para que as unidades de grande porte possam absorver os que precisam de atendimento de maior complexidade, como os que precisam de UTI.