
Apenas em janeiro, Manaus acumula 27% de todas as mortes do Amazonas durante a pandemia. Foto: Divulgação
O mês de janeiro terminou com números recordes provocados pela segunda onda da pandemia no Amazonas e ainda sem precedentes para Manaus. Do total de óbitos pela Covid-19 registrados no Estado até ontem, 8.117 durante toda a pandemia, apenas a capital amazonense soma, no mês, 2.195.
Os 2.195 óbitos de janeiro representam 27% de todo o acumulado no Amazonas desde março de 2020, mais de 1/4 das mortes pelo vírus. Os 61 municípios do interior com registros de falecimento em decorrência do novo coronavírus tem 2.542.
Até ontem, Manaus acumulava 5.575 óbitos durante o período pandêmico e somente o mês de janeiro de 2021 representa 39,3% de todas as mortes registradas nos 10 meses.
No País, até ontem, a taxa média de mortes por 100 mil habitantes estava em 106,8, enquanto na capital amazonense ela supera o dobro, sendo de 255. No Amazonas a taxa é de 195. A taxa de letalidade de complicações do vírus é de 4,64 na capital, e no Estado está 3,04.
Cenas de desespero de equipes médicas em busca de oxigênio no dia 14 de janeiro vão ficar no registro, memória e lembrança de médicos, intensivistas e de todos que perderam, naquela data, alguém para a luta para o vírus ou por falta de O2. E continuamos com maior demanda de oxigênio do que a produção, mas o socorro chega de vários lugares do Brasil, de anônimos, empresas e artistas, por ar e por terra.
A capital amazonense teve sua primeira morte confirmada por Covid no dia 24 de março de 2020, oito dias depois de ter o primeiro caso confirmado. Na cidade-metrópole, que sente os efeitos mais devastadores da Covid, o número alto é facilmente percebido no trabalho incansável dos coveiros que seguem abrindo covas, com escavadoras.
A terra vermelha faz divisa com a floresta e já quase não resta espaço em um dos maiores cemitério públicos. A segunda onda e seu impacto de tsunami desmente as teorias de imunidade de rebanho propagada há meses, inclusive com artigos científicos. A realidade bate de frente com os números.