
Engenheiro do Dnit se emociona ao falar da “guerra” de quatro dias para atravessar a BR-319 com 160 mil metros cúbicos de oxigênio para Manaus
O engenheiro Roberto Magno Ramos de Oliveira, 66 anos, prestou depoimento emocionado, ainda na balsa, no momento da chegada a Manaus de carretas com oxigênio para Manaus. A carga foi de 160 mil metros cúbicos do produto, suficientes para abastecer a capital por dois dias. “Pensei que já tinha vivido tudo nessa BR, mas o que vivemos nesses quatro dias foi demais”, disse. Oxigênio tem sido o insumo mais requerido na atual crise da pandemia de coronavírus.
O comboio, que contou com apoio de policiais rodoviários federais e retroescavadeiras da empresa que faz manutenção, viajou quatro dias. As carretas tiveram que ser arrastadas por atoleiros, no chamado “trecho do meio”. São cerca de 400 quilômetros sob intenso lobby ambientalista, que trabalha contra o asfaltamento.
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, chegou a fazer um apelo às autoridades para que ajudem o Governo Federal. “É inadmissível. Não dá para suportar os atoleiros, o tempo de vida perdido em viagens que poderiam durar menos. Ajudem o governo porque o governo tem a vontade política para fazer e a verba para isso”, disse, durante encontro com governadores do Amazonas e Rondônia.
A rodovia BR-319 liga Manaus a Porto Velho. A capital rondoniense tem ligação rodoviária com o resto do Brasil. O asfaltamento completaria a ligação por estrada dos dois únicos Estados brasileiros sem essa infraestrutura, o Amazonas e Roraima, este ligado a Manaus pela BR-174, que é asfaltada.
“O pulmão do mundo está sem oxigênio. Isso é uma vergonha. E nós temos uma rodovia que poderia facilitar. A gente poderia gastar um dia (de viagem) e gastamos quatro, com tanto sacrifício”, disse o engenheiro.

Atoleiros atrasaram a viagem em três dias e podem ter sido decisivos na perda de vidas que dependiam do oxigênio
O momento que mais emocionou o tarimbado engenheiro do DNIT foi quando uma menina, de cerca de três anos, agitou uma Bandeira do Brasil para a caravana. “A população aplaudiu por onde passamos. Uma garotinha de três, quatro anos, num sítio, no (comunidade) Céu Azul, estava com uma bandeira do Brasil”, contou.
A BR-319 passou por reasfaltamento e melhorias, entre o porto do Careiro da Várzea e o Careiro Castanho. O trecho serve, diretamente, aos Municípios de Careiro da Várzea, Autazes, Manaquiri e Careiro Castanho. Nova Olinda e Novo Aripuanã, no rio Madeira, utilizam indiretamente a estrada, passando por Autazes.
“A gente estava trazendo vida para Manaus. Foi um trabalho de todos. O Brasil começa em Roraima, passa pelo Amazonas e vai até o Sul do País”, lembra Roberto Magno.