
A atriz Laury Gitana interpreta “A Mulher no Subsolo”, sobre uma personagem que vive um ciclo interminável que se resume em acordar, trabalhar, dormir e não morrer. Foto: Jean Palladino/Divulgação
Em cartaz nas redes sociais do Ateliê 23 desde o dia 21 de dezembro, o experimento cênico “A Mulher no Subsolo” terá sua última transmissão ao vivo nesta terça-feira (29), a partir das 21h, no Instagram da companhia. Com a história de uma mulher presa no dilema de uma vida sem sentido, o solo faz parte da programação do Combo 23, projeto contemplado no Edital Prêmio Manaus de Conexões Culturais, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult), por meio da Lei nº14.017/2020, conhecida como Lei Aldir Blanc.
O solo tem duração de 30 minutos e é inspirado nos livros “Memórias do subsolo”, de Fiódor Dostoiévski, e “ O Mito de Sísifo”, de Albert Camus, sobre a falta de sentido na existência humana. Em cena, a atriz Laury Gitana interpreta uma mulher soterrada de frustrações e questionamentos, vivendo um ciclo interminável que se resume em acordar, trabalhar, dormir e não morrer.
“Para ela, resta existir numa vida esvaziada de identidade, prazer e fé. A proposta seria abraçar – simbolicamente – as pessoas que não estão bem mentalmente. Como se a gente dissesse que está tudo bem no fato de não se sentir bem”, comenta a artista.
A direção de “A Mulher no Subsolo” é de Jean Palladino, iluminação de Taciano Soares e produção de Eric Lima.
Seguindo os protocolos de prevenção à Covid-19, as apresentações virtuais tornaram-se uma alternativa para companhias teatrais, como é o caso do Ateliê 23. “Desde abril estamos trabalhando em formato home office, com tudo mediado pelo computador e isso me fez perceber o quanto é importante nosso espaço físico”, afirma Laury Gitana. “O que eu sinto mais falta é do contato com o público, o olho a olho, mas as redes virtuais se tornaram uma alternativa nesse momento”.
Além de “A Mulher do Subsolo”, o Ateliê 23 segue com uma programação artística nas redes sociais até o fim deste mês.
O projeto de pesquisa e manutenção do Ateliê 23 “Combo 23” foi contemplado no Edital Prêmio Manaus de Conexões Culturais, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), por meio da Lei nº 14.017/2020, a Lei Aldir Blanc.
Como frente de manutenção e numa perspectiva conceitual, o projeto propõe realizações de oficinas e apresentações para a comunidade, em diferentes zonas de Manaus. Já a frente de pesquisa traz a articulação teórica sobre a continuidade das ações do grupo, como intercâmbio com uma companhia de Minas Gerais, seminário de investigação sobre o momento histórico da cidade e processo de imersão que vai ser exibido no fim deste mês.
A companhia de artes cênicas Ateliê 23 (rua Tapajós, 166, Centro) tem sete anos de estrada e é um dos poucos espaços culturais privados de Manaus. Possui 16 espetáculos no repertório, entre eles “Helena”, “da Silva”, “Ensaio de Despedida”, “Vacas Bravas” e “Persona – Face Um”.
A sede abriga muitos grupos e artistas independentes para realizar ensaios, temporadas de espetáculos, encontros, lançamentos de livros, apresentações acadêmicas, debates e oficinas. A sala de espetáculos tem capacidade para 40 lugares. Antes da pandemia, o Ateliê 23 abria as portas para o público todos os fins de semana, de fevereiro a dezembro.
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