10/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Artista visual e ator desenvolve trabalho para preservar a cultura e os direitos indígenas

Publicado em 22 de dezembro, 2020

O ator Karapãna (centro) participa do projeto “Quem é você na fila do pão?, apresentado por Filó, a Básica (à esquerda). Foto: Divulgação 

Para não deixar que as tradições culturais da sua etnia desaparecessem com o passar dos anos, o artista visual, ator e artesão Karapãna realiza um importante trabalho de Educação Indígena, atuando como professor, com ênfase no ensino da língua Nheengatu e na revitalização cultural indígena. Ele também participa ativamente dos movimentos sociais, sendo fundador e presidente da Associação Indígena Karapãna (Assika).

“Meu nome na língua Tukano oriental é Kay Vau Massame e na língua portuguesa é Joilson da Silva Paullino”, explica Karapãna, que tem 46 anos de idade e adotou o nome artístico da sua etnia. Ele também é cooperador e articulador de luta fundiária do Parque das Tribos em Manaus e mobilizador social, e revela que tornou-se professor porque via a necessidade de repassar para as novas gerações Karapãna todo o conhecimento tradicional que estava em risco de desaparecer.

Karapãna tem um longo currículo de formação e experiência profissional, tendo feito, entre outros cursos, o de Saberes Indígenas na Escola, pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), realizado de 2014 a 2016. Também participou da capacitação oferecida pela Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed) de Formação de Professores Indígenas em 2008.

Conceito de arte

Karapãna explica que ser índio e artista é algo natural para os povos indígenas porque a arte está presente no cotidiano dos índios, diferentemente das pessoas não indígenas. “A arte na cultura indígena é vivenciada diariamente, nos cantos, na pinturas, nas danças, esculpindo madeira e nas demais atividades rotineiras. Isso, para nós, como índios, é o cotidiano, encaramos como parte da nossa vida. No dia a dia, nós a colocamos em prática, e ela é simplesmente sistematizada na forma que o homem branco chama de arte”, comenta Karapanã, que já participou como figurante na minissérie da Rede Globo “Aruana” e em um filme italiano, entre outros trabalhos.

Karapãna trabalha como professor de Nheengatu e repassa conhecimentos tradicionais para crianças. Foto: Divulgação

Karapãna na fila do pão

A trajetória de Karapãna é o foco da entrevista que estreou nesta terça-feira (22) no programa “Quem é você na fila do pão?”, apresentado pela personagem Filó, a Básica, interpretada pelo ator e diretor Paulo Queiroz. O programa é exibido no Instagram, Facebook e YouTube. Karapãna participa como entrevistado na categoria Artes Visuais.

O programa de entrevista integra o projeto cultural “Quem é você na fila do pão? – Edição Norte-Sul/Leste-Oeste”, concebido por Paulo Queiroz. A iniciativa foi contemplada na Lei Aldir Blanc, no edital do Prêmio Manaus de Conexões Culturais 2020, na categoria Teatro, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) da Prefeitura de Manaus.

Padrinho artístico

No projeto “Quem é você na fila do pão? – Edição Norte-Sul/Leste-Oeste”, Karapãna tem como padrinho artístico o antropólogo João Paulo Lima Barreto, que é indígena da etnia Tukano, e fundou o Centro de Medicina Indígena Bahserikowi.

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